Estamos divididos? A Quem isso interessa?

Tiago 2.1-10,14-18



Não é de hoje que estamos divididos entre nós e eles. Não é coisa da política atual. Na verdade, a primeira divisão aconteceu na queda em pecado e nós mesmo, os seres humanos, nos lançamos nela. Vivia-se na perfeição e na presença do Senhor, mas... O inimigo soprou “novidades” nos ouvidos. Prometeu coisas grandiosas... Disse que o Senhor era mau e que ele era bom. Isso nunca mudou. Aquele que quer dividir, sempre diz que será melhor. E, nem diz que quer dividir, quer que “você tome as rédeas de sua vida”... Quer que “você ganhe melhor”... Quer que “você seja mais valorizado”. Quer “te dar um futuro melhor”. A gente sabe onde essa primeira divisão terminou: foram todos expulsos do paraíso. E hoje padecem em pecado.

Dessa divisão procedem todas as outras entre “nós” e “eles”. E é claro, como os grandes ditadores psicopatas desta terra, “nós” sempre é melhor que “eles. Mas não é. Nunca é. A verdade, nesta situação, nunca é simples. Nunca é “preto no branco”... Tem milhares de tons entremeio e nem são tons de cinza. São milhões de tons de todas as cores.


O problema é que atualmente o “nós” contra “eles” tomou proporções alarmantes que estão fazendo com que paremos de nos ver como seres humanos. Talvez, protegidos na distância de um celular... De uma tela de computador...

Ninguém mais sabe o nome do vizinho. Temo a hora que nos esqueceremos de quem são nosso filhos e nossos pais.

Dividir, parece ser certo, apenas naquela célebre frase sobre a guerra: “é preciso dividir para conquistar”. E o diabo conseguiu dividir e conquistar boa parte da humanidade para si. Há outros inimigos usando as mesmas técnicas. Quem quer dividir você das pessoas que te amam, nunca quer o seu bem. Mas sempre vem com uma conversa bonita a seus ouvidos.


Vejam estes diálogos:


— Que isso cara! Seus pais não sabem o que é bom pra você. Eles são velhos.

— Mas sempre parecerem querer o melhor pra mim, mesmo quando me castigavam.

— Se te amassem de verdade, não te castigariam. (Diz seu amigo adolescente, te oferecendo drogas, prostituição, violência...).

— Que isso! Perdoar sue marido por quê? Tem tanto homem por aí...

— Mas a coisa nem foi tão grave, ele mentiu em algo pequeno e já resolvemos.

— É. Mas começa assim, agora foi uma mentirinha, daqui a pouco aparece com uma amante. Ou começa a te bater. (Diz sua amiga que, amargurada, não consegue ser feliz e quer ver os outros assim também).

— Se eu fosse você, processava seu patrão.

— Mas ele não me fez nada.

— Não importa, processa que alguma coisa você arranca. (Diz seu amigo que quer se vingar por você, mesmo que você não tenha motivos para vingança, aliás, nunca há motivos justificáveis de vingança, por isso ela pertence a Deus).


Essa “divisão” já era combatida, na igreja, por Tiago, que em sua carta, capítulo 2, escreve sobre a “acepção de pessoas”. Fazer diferença entre uma pessoa e outra.


E quase 2 mil anos após esta carta, continuamos a nos dividir entre nós e eles. Entre homens e mulheres, entre negros e brancos, entre velhos e jovens, entre pobres e ricos e entre tantas outras divisões que temos inventado...

Deus não nos quer divididos. O diabo quer e vai usar de tudo para isso.

Vai usar a sexualidade... Luta de classes... Times de futebol... Campanha política... Gostos musicais e tudo mais que estiver ao seu alcance.

O que precisamos perguntar: vale a pena eu perder um irmão na fé porque ele torce para outro time? Ou porque come só vegetais enquanto eu prefiro churrasco?


E o que ainda mais me preocupa é a quantidade de ira que está sendo justificável neste momento. Como se aprende nos filmes: o inimigo você pode matar. Quem disse que alguém que pense diferente de nós é nosso inimigo? Quem disse que alguém que diz que você está errado está querendo o seu mal?

Deus, por exemplo, toda hora diz que somos maus. Mas o que ele quer que, reconhecendo isso, nos arrependamos e tenhamos dele a vida eterna, pelo perdão conquistado em Cristo.


Quero fazer alguns destaques do texto de Tiago, então:

“Meus irmãos, vocês que creem no nosso glorioso Senhor Jesus Cristo, nunca tratem as pessoas de modo diferente por causa da aparência delas.” (Tiago 2.1)

Ou, como na versão clássica: “não fazer acepção de pessoas”: tratar alguém injustamente baseado em critérios do mundo. Porque como diz o versículo 1.27:

“A religião pura e verdadeira é esta: ajudar os órfãos e as viúvas nas suas aflições e não se manchar com as coisas más deste mundo.”

Ou seja, não tem nada a ver com idade ou posição social.

Deus não faz diferença entre uma pessoa e outra.

“Haverá sofrimentos e aflições para todos os que fazem o mal, primeiro para os judeus e também para os não judeus. Mas Deus dará glória, honra e paz a todos os que fazem o bem, primeiro aos judeus e também aos não judeus. Pois ele trata a todos com igualdade.” (Romanos 2.9-11)

E Deus quer que seu povo faça o mesmo. Trate todos com igualdade, mesmo com opiniões divergentes. Podemos e precisamos divergir, mas que seja feito com ordem e decência e com amor acima de tudo.

Nos versículos 2 a 4, há o exemplo da vestimenta. Uma coisa simples, mas que é muito discutida hoje em dia. E eu me atentei para ela cerca de 28 anos atrás e sempre tenho testado esta teoria na prática.


Exemplo 1:

Certa vez fui ao banco, com uns 18 anos, queria abrir uma conta... Estava de camiseta regata, bermuda e chinelo. Bem vestido para um lugar onde pode entrar com qualquer roupa e num lugar tão quente como Nova Venécia, no verão. Fui mal atendido.

Mais tarde, já com o uniforme da empresa, de calça, sapato e camisa gola polo, quando me viram de pé na porta, o gerente veio pergunta se eu precisava de algo...


Exemplo 2:

Outra vez, já no ministério, uma ex-presidente das servas nacional olhou pra mim (que estava de colarinho clerical) e me disse: você parece pastor. Me intriguei e perguntei: “como assim?” Olha em volta, se você não conhecesse quem são os pastores, saberia dizer quem são, olhando roupa e comportamento?


Exemplo 3:

Durante a greve dos caminhoneiros, tivemos que ir para o Sul, para a reunião dos departamentos. Eu já fui de colarinho pastoral desde aqui de Nova Venécia. Em todos os locais as pessoas me tratavam com cordialidade e respeito. Imagino quantos lembraram de sua fé cristã só porque ali tinha alguém que se podia identificar como um sacerdote.


Sabemos que a roupa não “é” a pessoa. Mas sabendo que as roupas (a aparência) e o comportamento comunicam e podem dividir, Tiago faz um alerta.

Claro, nos casos que citei acima, as vestimentas estavam comunicando coisas boas. Mas nossas atitudes e vestimentas estão comunicando o que sobre nós?

Quando lançamos mão do ódio e da intolerância ao semelhante, o que comunicamos? Que somos de Jesus, ou do inimigo?

O inimigo é que quer dividir para conquistar.

Jesus quer nos unir em torno de si e nos dar a vida eterna.


E Tiago dá a ênfase no que quero ainda ressaltar hoje:

“Ame os outros como você ama a você mesmo. Mas, se vocês tratam as pessoas pela aparência, estão pecando, e a lei os condena como culpados.” (Tiago 2.8-9)

Se entrasse alguém pela porta, agora, com a camisa #lulalivre, ou #bolsonaropresidente... Que é a guerra que vivemos agora. Você que simpatiza com uma ou outra ideia, conseguiria falar de Jesus ao outro? Espero que sim.

Precisamos superar o que nos divide, porque o que nos une é muito maior.

E para concluir é impossível não destacar:

“Meus irmãos, que adianta alguém dizer que tem fé se ela não vier acompanhada de ações? Será que essa fé pode salvá-lo? Por exemplo, pode haver irmãos ou irmãs que precisam de roupa e que não têm nada para comer. Se vocês não lhes dão o que eles precisam para viver, não adianta nada dizer: “Que Deus os abençoe! Vistam agasalhos e comam bem.” Portanto, a fé é assim: se não vier acompanhada de ações, é coisa morta. Mas alguém poderá dizer: “Você tem fé, e eu tenho ações.” E eu respondo: “Então me mostre como é possível ter fé sem que ela seja acompanhada de ações. Eu vou lhe mostrar a minha fé por meio das minhas ações.” (Tg 2.14-18)

Temos fé em Jesus?

Temos fé nesse Salvador que nos une “assim como a galinha ajunta os seus pintinhos debaixo das suas asas” (Mateus 23.27)?

Ele quer nos unir, porque ele, acima de todos nós, sabe o que é bom para nos.


É hora de orar por uma vida melhor de cada cristão. Mais dedicado a buscar a união em Jesus Cristo. Porque quem hoje está vivo, amanhã não estará... Quem é criança, será velho... Quem hoje é rei, amanhã será mendigo e vice-versa... Tudo passa debaixo do sol.

A única coisa que permanece é a fé em Jesus Cristo.

Esta nos une, nos perdoando por todos os nossos pecados.

O mundo passará, mas aqueles que permanecerem unidos com Cristo, viverão eternamente com ele, perdoados de seus pecados. Busquem a união. Amém.




Rev. Jarbas Hoffimann

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