Um dia mais importante que mil.


“É melhor passar um dia no teu Templo do que mil dias em qualquer outro lugar” (Sl 84.10)

 

O salmista contemporâneo diria: “É melhor passar mil dias em outro lugar do que um dia no teu Templo.”


Mil dias! 2 anos e 9 meses!


Tudo o que envolve o templo, estar presente nele, o cuidado, o serviço, recebe ênfases especiais na Palavra de Deus. Os capítulos 25 a 40 de Êxodo descrevem uma verdadeira teologia do Templo, tabernáculo. Onde a partir do Sinai, o povo de Deus oferecia sacrifício no tabernáculo e por ali Deus aceitava ou não a oferta. Pelo tabernáculo, Deus oferecia o perdão. O tabernáculo (Templo) passou a ser a esquina onde Deus encontra o ser humano.


A compreensão do tabernáculo (Templo) como esquina do encontro de Deus com o ser humano era tão vivo entre o povo de Deus que, o apostolo João escreveu: “E o verbo se fez carne e habitou (tabernaculou) entre nós...” (Jo 1.14 ARA).


Ir ao Templo e estar no Templo era tão significante que Davi, o salmista, exclamou: “Alegrei-me quando me disseram: Vamos à casa do Senhor” (Sl 122.1). A reunião do seu povo no Templo sempre foi agradável a Deus, a ponto do mesmo insistir que todos deveriam estar em reunião uma vez por semana e que não poderia passar um ano sem ao menos ir três vezes (Ex 20.8; Lv 23; Dt 16.16). O 


próprio Deus separou uma das doze tribos para servir no Templo e realizar todo o serviço necessário (Nm 8.9-11). Deus também ordenou que os levitas fossem sustentados pelos dízimos (Nm 18.21-32; 1Co 9.14). Jesus indignou-se, a ponto de derrubar mesas, quando os cambistas estavam profanando o Templo (Mc 11.15-19; Mt 21.12). O profeta Ageu declarou ao povo de Deus que “as pessoas só cuidavam das suas próprias casas, mas não se importavam com a casa de Deus que estava destruída” (Ag 1.9).

Levemos esses detalhes em consideração e pensemos:
As pessoas estão atacando tudo isso. Nas redes sociais, bem como nas conversas diárias, atacamos o templo, o pastor, a liderança. Desclassificamos a importância de se reunir. Arrumamos desculpas para não participar, se envolver, ofertar. E dentre todos os argumentos o que mais se sobressai é: vou cuidar de mim e dos meus. Assim, o Templo vai sendo abandonado e aos poucos o Diabo, leão que ruge (1Pe 5.8), vai conseguindo fechar portas e mais portas de igrejas.

Parece-me que salmista moderno está tendo mais influencia do que o salmista do grupo de Corá. O salmista moderno diz e pratica a sua verdade: “É melhor passar mil dias em outro lugar do que um dia no teu Templo.”


Mil dias! 2 anos e 9 meses! O que é possível fazer em todo esse tempo?


Quantas pessoas já estão afastadas da companhia dos irmãos por esse tempo? E as desculpa moderna parece ser justificável – pandemia! No entanto, essa desculpa se torna questionável quando se vê a mesma pessoa indo ao supermercado lotado, no hospital onde há internados por COVID-19, encontros sociais ...


As palavras do salmista do grupo de Corá são atualíssimas: “É melhor passar um dia no teu Templo do que mil dias em qualquer outro lugar” (Sl 84.10).


O texto de Lucas 2.22-38 mostram dois personagens que dedicavam suas vidas no Templo. Simeão aguardava a salvação de Israel (Lc 2.25) e por muitos anos, cada mãe e pai que adentrava nos pátios do Templo sua esperança se renovava, até que num dia, chegou José, Maria trazendo Jesus (Lc 2.28-32). Que alegria desse homem! Sua felicidade foi tanta que poderia morrer naquele momento e sua morte seria em paz.


No mesmo local, havia uma viúva que por cerca de 60 anos estava no Templo adorando a Deus dia e noite – jejuando e fazendo orações. E teve a oportunidade de ouvir o que Simeão disse sobre o menino e passou a ser testemunha de Jesus (Lc 2.38).


“É melhor passar um dia no teu Templo do que mil dias em qualquer outro lugar” (Sl 84.10).


Enquanto muitos estão trocando o dia de louvor e adoração pelos outros mil dias, o salmista salienta que troca mil dias em qualquer outro lugar por um único dia na casa de Deus.


O salmista na verdade está sublinhando a importância da casa de Deus na sua vida. Verso 1 – ele ama o templo; verso 2 – sente saudades quando não está no templo e gosta de estar nesse local; verso 4 – só em poder ir ao templo se sente feliz; verso 5 – só em pensar no templo fica alegre; verso 7 – enquanto está se dirigindo ao templo, se sente outra pessoa, com outro ânimo.

A importância, felicidade, alegria, ânimo, amor ao templo, deve-se ao fato de que o salmista sabe que no templo terá sua oração ouvida (Sl 84.8) e que irá se encontrar com o Senhor. É como se estivesse assentado no gabinete de Deus e com Deus.


Quão belo e maravilhoso é o salmo 84 nesses dias em que salmistas modernos estão preferindo estar “mil dias em outros lugares do que um dia no Templo de Deus.”


“É melhor passar um dia no teu Templo do que mil dias em qualquer outro lugar” (Sl 84.10). Para dar ênfase a importância de estar no Templo o salmista completa a frase: “Eu gostaria mais de ficar no portão de entrada da casa do meu Deus do que morar nas casas dos maus” (Sl 84.10).

Ficar no portão de entrada era o trabalho da família de Corá (1Cr 9.19) e para muitos era algo insignificante. Dessa forma, ao dizer que “gostaria de ficar no portão de entrada a casa de Deus” o grupo de Corá acentuava que insignificante era deixar as outras ocupações, sobrecargas e atividades me afastarem da presença de Deus.


Muitos que trocam esse dia pelos outros mil dias acabam se sobrecarregando a ponto de ficarem exaustos e perderem a esperança.


A casa de Deus é lugar de abrigo para os cansados, fracos, desanimados. É lugar de refúgio para aqueles que atravessaram o vale das lágrimas (v.6).


Milhares de pessoas vivendo a ideologia do salmista moderno de que é melhor estarem mil dias em outro lugar do que um dia no Templo encontram-se afadigados, amortecidos espiritualmente e em situações de desespero buscam refúgio, alegria e felicidade onde não os encontrarão.


O melhor lugar para se estar hoje, amanhã e nos próximos mil dias é na casa do Senhor, mesmo que seja na portão de entrada. Afinal, é aqui que Deus nos dá forças (Sl 84.7); aqui vemos que Ele é a nossa luz e o nosso escudo protetor (Sl 84.11) e daqui podemos dizer como esbravejou Simeão: “Agora Senhor, cumpriste a promessa que fizeste e já podes deixar este teu servo partir em paz” (Lc 2.29). Cristo é a nossa paz! E ele nos oferece a sua paz através da pregação, do batismo e da santa ceia. Ele nos enche de paz, nos dando perdão, vida e salvação. Amém!




Rev. Edson Ronaldo Tressmann

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