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  • PENSE NISSO Teológica

Temos um grande problema!

João 3.1-17


Meus queridos, certa vez Jesus recebeu uma visita muito inesperada em sua casa. De uma hora para outra, no meio da noite, aparece um seu lar um líder judeu a fim de conversar com Ele a respeito das coisas de Deus. O texto não nos traz muitos detalhes sobre o personagem, só que tinha o nome de Nicodemos, que era líder entre os judeus. Era já de idade avançada – muito experiente em vida – e era bastante estudado nas questões teológicas de sua religião do judaísmo. Caso deparássemos com uma figura como esta – líder, experiente e muito estudado em Bíblia – seria comum concluirmos que tal pessoa era sim alguém resolvido em sua vida, alguém resolvido com Deus, alguém que certamente herdaria no “futuro” o Reino dos céus. Mas, não! Nicodemos tinha um problema, um grande problema! Meus amigos, qual era o problema de Nicodemos?


Não sei se dá pra afirmar categoricamente, mas o fato de ir até Jesus durante a noite, no escuro, à luz somente das estrelas e sozinho, dá a entender que Nicodemos queria deixar sua visita meio acobertada. Parece que não queria que outros de sua religião o vissem indo ao encontro de Jesus, ou pelo menos, não queria dar a entender que seu simples visitar expressasse uma concordância de ideias com o nazareno que tanto criticava sua religião. Mas, a realidade apresentada pelo texto é que ele foi até Jesus, entrou em sua casa e, como se percebe no relato, até iniciou o diálogo afirmando ser Jesus um mestre que Deus enviou. Disse Nicodemos: (Ler v.2b). Ir a Jesus, entrar em sua casa, afirmar com suas próprias palavras que Jesus era um enviado de Deus! Sem dúvida, Nicodemos fez tudo o que era ou ainda é esperado de um verdadeiro cristão – vir à sua casa, estar com Jesus e o confessar como enviado de Deus. No entanto, Nicodemos tinha um problema, um grande problema! Meus amigos, qual era o problema de Nicodemos?


Na continuação do texto, Jesus meio que ignora a afirmação de Nicodemos ou, pelo menos, o levar a refletir melhor sobre o ver e saber das coisas de Deus. Jesus meio que desvia das palavras do homem e lança aos seus ouvidos a confusa afirmação que “ninguém pode ver o Reino de Deus se não nascer de novo”. Nicodemos está ouvindo atentamente, ele está interessado nas palavras de Jesus. Mas, essa última afirmação para ele é meio confusa, por isso ele pergunta (até com tom sarcástico): (Ler v.4). De novo, Nicodemos expressa interesse e quer continuar o diálogo e ouvir o mestre enviado Jesus de Nazaré. Estar ao lado de Jesus, ouvir e se interessar cada vez mais por suas palavras – características de um cristão assíduo.


A partir do v.5 até o v.8, Jesus faz várias afirmações importantíssimas sobre o Rino de Deus, verdades extraordinárias a respeito de nossa vida espiritual. “Ninguém pode entrar no Reino de Deus se não nascer pela água e pelo Espírito”; “quem nasce do Espírito é um ser de natureza espiritual”; “o vento sopra onde quer, e ouve-se o barulho que ele faz, mas não se sabe de onde ele vem, nem para onde vai. A mesma coisa acontece com todos os que nascem do Espírito.” Mesmo sem entender muito bem as palavras de Jesus, assim como a maioria ou “todos” nós que nos deparamos com essas palavras pela primeira vez, Nicodemos continua ouvindo e continua interessando no discurso de Jesus. Interessante como Nicodemos se parece conosco.


Nesta parte, dou um pulo em alguns versículos, para apontar para os riquíssimos versículos finais de nosso texto. Depois de outra pergunta do nosso interessado personagem Nicodemos – o líder, o experiente e muito estudado em Bíblia – Jesus responde: “— Assim como Moisés, no deserto, levantou a cobra de bronze numa estaca, assim também o Filho do Homem tem de ser levantado, para que todos os que crerem nele tenham a vida eterna. Porque Deus amou o mundo tanto, que deu o seu único Filho, para que todo aquele que nele crer não morra, mas tenha a vida eterna. Pois Deus mandou o seu Filho para salvar o mundo e não para julgá-lo.” Queridos, Nicodemos ouviu também essas lindas palavras, esse texto fenomenal e impactante de Jesus, assim como nós também o ouvimos atentamente. Será que ele creu nelas? Será que lembrou delas numa futura Páscoa? Complicado afirmar que sim ou que não porque não temos relatado outro fato da vida de Nicodemos nos evangelhos; No entanto, o que podemos constatar com nosso texto de hoje é que Nicodemos tinha um problema, um grande problema! Meus amigos, qual era o problema de Nicodemos?


Sem mais delongas, respondo a este questionamento. Meus amigos, o problema, o grande problema de Nicodemos era não ver crer ser Jesus de Nazaré o verdadeiro Filho encarnado de Deus. Nicodemos até afirmou que Jesus era um enviado de Deus, estava até disposto a aceitar Jesus como um profeta, mas ele não via Jesus como “o” enviado de Deus, como “o” Salvador do mundo, como o Deus encarnado. Se você se admira dos seus milagres, como também Nicodemos o fazia, vem até a sua casa, como também Nicodemos o fez, ouve e tem interesse em ouvir mais da sua Palavra, assim como Nicodemos, mas não crê que o Jesus Nazareno era e é o Deus que se fez homem para te salvar, você tem um problema, um grande problema, o problema igual ao problema de Nicodemos.


Não temos a opção de moldar um Jesus a nosso bel prazer, de maneira que caiba ao nosso entendimento. Como disse C. S. Lewis num dos seus inscritos, ou se crê que ele era e é o Filho Deus, ou o crê que ele era apenas um louco desvairado. Outra opção Ele não nos deixou. Ou você crê na loucura do amor de Deus – enviar o próprio e único Filho para morrer em lugar dos inimigos – ou crê que toda a Escritura é conversa fiada e estória pra boi dormir.


Queridos, como afirmado antes, somos muito parecidos com Nicodemos no fato de que nosso coração pecaminoso tem a tendência em não crer ou não querer ver em Jesus o único meio de salvação para todo o mundo. Não sou eu quem me salva, Deus é quem me salvou por meio do levantar de seu Filho numa estaca. Também igual a Nicodemos, às vezes estamos de frente a frente com Cristo e não conseguimos enxergar ele e sua ação em nossas vidas; não conseguimos depositar toda a confiança de coração em sua Palavra Salvadora. Mas, diferente de Nicodemos, somos seres já nascidos por meio da água e do Espírito – alguns nascidos pelo Batismo, outros pelo atuar do Espírito por meio da Palavra, mas todos com o mesmo Espírito fortalecedor habitando em seus corações. Diferente de Nicodemos, o Espírito de Deus nos faz enxergar e crer nesse amor maravilhoso e extraordinário de Deus – seu Filho, pela nossa salvação. Diferente de Nicodemos, somos herdeiros convictos do Reino de Deus e, mais que isso, já desfrutamos do Reino de Deus em nossa vida – um sorriso de um irmão, um ouvido pra desabafar de um amigo, braços aconchegantes nos momentos de tristeza. Diferente de Nicodemos, sabemos que assim como o povo era salvo quando olhava para a serpente levantada numa estaca no deserto; nós somos salvos quando confiadamente nos voltamos ao Deus que deixa ser levantado numa estaca no deserto para salvar o mundo e não para julgá-lo.

Meus amigos, tínhamos um problema, um grande problema! Um problema igual ao problema de Nicodemos! Hoje, temos o consolo do Espírito Santo, o amor Pai e o perdão do Filho. Amém.




Reverendo Raul Saulo Pagung


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