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  • PENSE NISSO Teológica

Quem é o tesouro

Mateus 14.44-52


Queridos irmãos em Cristo, dias atrás o prêmio da Mega Sena está acumulado em mais de R$ 100.000.000. Imaginem quanto dinheiro isso é! Imaginem quantas coisas você poderia fazer com esse grande tesouro! Não sei vocês, mas, quando ainda era jovem sonhava bastante em encontrar um tesouro, uma pedra preciosa ou em ganhar na Mega Sena, mesmo sem nunca ter jogado. Sonhava como tudo em minha vida iria mudar, tudo ficaria mais fácil, passaria pelas dificuldades e pelos problemas de forma fácil, e ajudaria todos os meus familiares e amigos. Esses eram meus sonhos, esses os meus desejos! Mas, e você? O que você faria se encontrassem ou ganhassem um grande tesouro como esse?


No evangelho citado, Jesus também falou sobre tesouros. Falou de coisas muito valiosas encontradas por alguns personagens – um homem que encontrou um grande tesouro escondido, outro homem que encontrou a mais valiosa de todas as pérolas.


Primeiramente quero dar destaque à primeira parábola de nosso texto, a do homem que encontrou um grande tesouro escondido.


Então, segundo Carson, um comentarista bíblico dos Estados Unidos, na região da Palestina era até comum as pessoas esconderem algumas peças valiosas que tinham. Isso, pelo fato de viverem num ambiente muitas vezes saqueado no decorrer dos tempos. (Jerusalém mesmo, foi destruída várias vezes no decorrer dos tempos.) Sem um banco para guardar suas riquezas, sem um cofre para trancafiar seus pertences valiosos, o jeito era esconder seus tesouros os nos lugares mais improváveis possíveis e, porque não, enterrá-los.


E na sequência da parábola, nos é relatado aquele que nós, ou, pelo menos, eu sonhei por toda a vida. O homem achou um grande tesouro. Traduzindo para nosso contexto, poderia dizer que o homem ganhou sozinho na loteria R$ 100.000.000. Imaginem a empolgação, imaginem a extrema alegria, imaginem a exultação do homem por ter encontrado um grande, um enorme tesouro.


O texto poderia até acabar por aqui mesmo; afinal, chegamos num fim que, para você e para mim, seria um fim excepcional. No entanto, Jesus segue com sua comparação e a continuação nos remete ao detalhe mais importante desta primeira parábola. Por mais que o homem, sozinho, tenha encontrado o tesouro – por obra do acaso ou por obra Deus – o tesouro ainda não lhe pertencia. Ele só poderá ficar com o tesouro, ele só teria direito sobre a riqueza encontrada, se comprasse para si todo o campo onde o mesmo fora encontrado. Segundo Carson, assim era uma das leis rabínicas da época: só tinha direito sobre determinada coisa – no caso, algo valioso encontrado – se a mesma coisa estivesse em cima de sua propriedade. Não pesquisei na constituição brasileira se nossa lei é ou não parecida com essa ainda hoje... fica como dever de casa para cada um de vocês. Mas, o fato é que o homem precisou fazer algo mais do que só encontrar, precisou fazer mais outra coisa para ficar definitivamente com seu valioso tesouro.

E, segundo o próprio texto, “ficou tão feliz que vendeu tudo o que tinha, depois voltou, e comprou o campo.” Acho que não precisamos falar muito sobre a reação de felicidade do homem, já destaquei antes e imaginamos isso naturalmente quando nos colocamos em tal circunstância. Mas é muito interessante e importante de observar que o homem, de tanta felicidade, de tanta exultação com a descoberta do grande tesouro, se desfez de tudo o que tinha – Ele vendeu tudo, se desfez de tudo o que tinha para comprar o campo e ficar com seu “preciosíssimo tesouro”. Ele amou tanto o tesouro, ele deu tanto valor àquela riqueza encontrada, que deixou tudo de lado, abriu mão de tudo o que tinha para ficar e o tornar “o seu” precioso tesouro.


Poderia já explicar essa parábola, refletir com vocês sobre quem é o homem, quem é o tesouro e o que são as posses vendidas; mas deixarei isso para um pouquinho mais adiante. Antes, vamos observar outra belíssima parábola muito parecida com essa primeira.


Na continuação, Jesus diz: “– O Reino do Céu é como um comerciante que anda procurando pérolas finas. Quando encontra uma pérola que é mesmo de grande valor, ele vai, vende tudo o que tem e compra a pérola.”


Não sou lá muito conhecedor do mercado de pérolas, por isso fui pesquisar sobre assunto e descobri coisas bem legais e interessantes. Segundo alguns sites pesquisados, a pérola se forma a partir da reação natural da ostra contra corpos estranhos, contra parasitas que invadem o seu interior. Depois desses corpos alojados dentro da mesma, ela começa seu ataque contra o parasita, lançando sobre ele algumas substâncias – material calcário, material orgânico e água – e, assim, vai revestindo e formando a pérola em seu interior. Hoje em dia, os japoneses já inventaram uma forma bem mais simples para a formação de pérolas que é colocar uma bolinha dentro da ostra e, esta, acaba revestindo a dita bolinha com o material produzido por ela. Ou seja, forma-se uma pérola induzida e, por isso, não muito original. Mas, segundo as fontes pesquisadas, o processo natural é muito raro e apenas uma, em cada dez mil animais, gera uma única pérola. Ou seja, algo extremamente raro.


Outra detalhe importante que descobri. Na época de Cristo ainda não existia a tecnologia de polir pedras preciosas, isso veio a acontecer só lá pelo século XVII. Logo, as pérolas eram um dos objetos mais valiosos que existiam, um dos maiores símbolos de riqueza e poder. E o comerciante da parábola acha uma pérola valiosíssima, de grande valor, uma de mais valor que as normais. (Pelo menos, de mais valor para ele.) Não consegue encontrar um valor médio de uma pérola natural/original. (Muito difícil, visto os japoneses, por meio de seu processo induzido, ter meio que tornado coisas raras em coisas muito comuns.) Mas, segundo minha pesquisa realizada em vários sites, o preço de uma pérola pode variar de cento e cinquenta à cinco mil reais – dependo da pureza, tamanho e cor. No entanto, o que nos importa é que, na época, o produto era muito, mas muito raro mesmo; valia muito mais que hoje, bem mais precioso; e o comerciante da parábola encontrou a que era da melhor qualidade.


Na continuação, somos informados que a reação do comerciante é bem parecida com a do homem da primeira parábola – “ele vai, vende tudo o tem, e compra a pérola”. De novo, este comerciante se desfaz de tudo, vende tudo o que tem a fim de ficar com sua preciosíssima pérola. A pérola tem tanto valor para ele, ele estima tanto a pérola encontrada, ele a quer tanto que não se importa de abrir mão de tudo o que tinha pra ficar com sua preciosa pérola.


Apresentada as duas parábolas, segue a interpretação ou “as interpretações”. Segundo meu professor de Novo Testamento, Dr. Vilson Scholz, 99.9% dos estudiosos interpretam essas parábolas assim: O homem que achou o grande tesouro e comerciante que encontrou a pérola de grande valor somos nós, mas especificamente, o cristão; o tesouro e a pérola é o Reino de Deus, as coisas de Deus; e as coisas vendidas, nossas posses. O que daria para chegar as seguintes conclusões: “Nós que vagamos pelos vastos campos deste mundo, certo dia – não por obra do acaso, mas por obra de Deus – encontramos a mais magnífica e mais valiosa de todas as coisas que é o Reino de Deus, tudo o que diz respeito à Deus. Este tem uma valor inestimável e preciosíssimo, pois faz total diferença e muda a vida da pessoa que o encontra. Para ficar com esse Reino, para ficarmos para nós esse tesouro valioso ou, no caso da outra parábola, com essa pérola valiosíssima, nos desfazemos de tudo, deixamos de lado tudo o que pertence a este mundo a fim de ficar e desfrutar das riquezas de Deus. Assim, o Reino de Deus é a coisa mais valiosa que existe porque muda vidas e enriquece a vida de qualquer ser humano.” (Por favor gente, nunca interpretem essa parábola como fazendo referência à prosperidade financeira, tipo... temos de vender tudo em nossa vida, entregar para a igreja que Deus vai nos abençoar com ricos tesouros e pérolas preciosas neste mundo. Isso é como se tivéssemos jogando as palavras de Jesus dentro de um latão bem sujo de lixo. Mais que isso, pegando palavras de Deus e às utilizando para o propósito do Diabo. A Palavra de Deus não lhe promete prosperidade e paz terrena; muito pelo contrário, o próprio Cristo ao se dirigir aos discípulos fala de perseguição do mundo e sofrimentos terrenos; só que sempre nos concede e promete a paz com Deus!)


Então, essa é a interpretação que 99.9% por cento que os estudiosos fazem sobre esse texto. Mas, e se eu falasse que, na verdade, eu prefiro me juntar não a esse grupo acentuado, mas aos 0.1% restantes. Não que seja errado analisar o texto da forma que apresentei, claro sem conexão nenhuma com a prosperidade. Mas, é muito interessante e impactante a interpretação dos 0.1%. Segundo esta, o homem que achou o grande tesouro e o comerciante que encontrou a pérola de grande valor é Jesus Cristo, meu e seu Salvador; o tesouro estimado e a pérola valiosíssima para o ou “os personagens” somos nós; e as coisas vendidas, tudo o que “os homens” abrem mão para ficar com essas coisas, a humilhação e os sofrimentos de Cristo. E a interpretação ficaria mais ou menos assim: “O reino de Deus é como o Filho do Homem, Jesus Cristo, que veio ao mundo em busca do seu precioso tesouro perdido, sua pérola valiosíssima e de extrema importância para Ele – o ser humano. Quando o encontrou, sua felicidade foi tremenda, anjos louvaram junto a Ele, e, para ficar de fato com seu precioso tesouro, para ficar de fato com sua valiosíssima pérola, ela precisou abrir mão de tudo – descer ao mundo, se entregar, sofrer, padecer e morrer para tomar posse de seu tesouro valioso.” (Sobre abrir mão de tudo, interessante o texto de Paulo em Filipenses 2.6-8.)


Queridos, Deus os considera de grande valor, nunca duvidem disso. Isso, porque você é mais santo que o irmão da outra igreja? Isso, porque você é mais gente boa que pessoas rabugentas que se depara no dia a dia? Ou isso, porque você é melhor que outros? Não! Você é de grande valor porque Deus escolheu te amar, porque Deus escolheu te cuidar, porque Deus escolheu te valorizar quando alguns ou muitos não dão valor algum a você. Vocês que aqui se encontram são o tesouro valioso do Senhor Deus, vocês são as pérolas valiosas do Senhor Jesus. Lá no céu e, em parte, já aqui na terra, vocês são os adereços que enfeitam a Deus. São vocês que fazem Deus mais bonito para os outros ali onde vivem. E são vocês que embelezam a vidas de outros por serem o que é – PECADORES ARREPENDIDOS PERDOADOS POR DEUS.


Antes de encerrar, queria só ainda fazer um destaque sobre as pérolas. Como vocês ouviram, a pérola se desenvolve a partir de um corpo estranho, um parasita que se aloja em seu interior. Para se tornar numa coisa valiosíssima, várias ações de fora tem de acontecer. Muito parecido é com a gente. A princípio, por causa do pecado que habita em nós, somos mais parasitas, mais corpos estranhos do que belas pérolas. É preciso ações fora, é preciso coisas externas de nós acontecer para sermos tornados pérolas preciosas do Senhor. Deus que tem de nos banhar como o mineral do Perdão; Deus que tem de agir em nós com seu material orgânico, material da Vida que é sua Palavra; Deus que tem de nos banhar com a água do Batismo e a Santa Ceia a fim de nos tornar suas preciosas pérolas. Sem a ação de Deus, somos meros parasitas que vivem sugando a vida de outros; com a ação de Deus, somos tornados as riquíssimas pérolas do Senhor Jesus que enfeitam e embelezam vidas.


Concluindo, por um lado fomos presenteados com um prêmio grandioso da Mega Sena, achamos um grandioso tesouro que mudou nossa vida que é o Reino de Deus. (Na verdade, nem precisamos ir atrás, foi total obra de Deus; seu Reino veio a nós, assim como oramos no Pai-Nosso, e mudou nossas vidas – nos abriu novas perspectivas, nos trouxe esperança e nos concede nova vida.) Por outro, fomos tornados o mais excepcional tesouro, a pérola mais valiosa, com a atuação de Deus em Jesus Cristo – o Deus homem que fez e ainda faz de tudo para encontrar, achar e ficar com seus tesouros escondidos e suas pérolas valiosas. Para Deus, você é um prêmio da Mega Sena, um grande tesouro descoberto, uma preciosa pérola encontrada! Amém.




Reverendo Raul Saulo Pagung


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