Promessas, promessas


“É melhor não prometer nada do que fazer uma promessa e não cumprir” (Eclesiastes 5.5), disse Salomão. Não deixa de ser um alerta num mundo onde, repete o Sábio, “É ilusão, é ilusão, tudo é ilusão”. Por isto o Cartório onde minha assinatura precisa de registro, caso contrário, não tem nenhum valor. Até mesmo o “prometo ser fiel até que a morte nos separe” é sacramentado diante do juiz e do sacerdote – porque minhas palavras carecem de amparo legal e divino.

O que vale é aquilo que faço. E aí começam os meus desencantos. Não com os outros, mas comigo. “Se dizemos que não temos pecados, estamos nos enganando, e não há verdade em nós” (João 1.8), foi a confissão do discípulo que prometeu cuidar da mãe de Jesus. Só conseguiu porque fez o juramento debaixo da cruz, lugar que compromete e dá consistência às palavras. Não por nada. A cruz é a primeira promessa divina (Gênesis 3.15). É a coerência entre o falado e o realizado na força da “Palavra que se tornou um ser humano e morou entre nós, cheia de amor e de verdade” (João 1.14).

Acreditar nas promessas de Deus reveladas na Bíblia é fundamental para a vida humana. Não acreditar em promessas que dizem ser palavras de Deus é fundamental para não cair em desilusões. “Dizem coisas que eles mesmos inventam e não aquilo que eu falei” (Jeremias 23.16), adverte o céu contra os falsos profetas. Igual aos candidatos que prometem mundos e fundos, e por isto, tanta descrença com a religião e com a política.

Nossa confiança nas promessas de Deus seria diferente se não falássemos tantas mentiras e não acreditássemos em tantos embustes. Temos a mania de transportar a desilusão aqui debaixo para os acordos daquele que é a Verdade. Para que tudo não seja pura ilusão, vale o recado final de Eclesiastes: “Tema a Deus e obedeça aos seus mandamentos”. Sem esquecer que só obedece quem acredita na primeira promessa.





Rev. Marcos Schmidt

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