Nas tuas mãos estão os meus dias (Sl 31.15)


Parece ser o relato de um cidadão contemporâneo descrevendo sua crise de ansiedade e depressão, no entanto, é um lamento de Davi, registradas no livro dos Salmos.


Não sabemos o que, pois as palavras do Salmo não anunciam, mas, algo estava causando muito sofrimento na vida de Davi. Tamanho o sofrimento, a ponto de Davi dizer que era “uma coisa que havia sido jogado fora” (Sl 31.12). Davi estava consumido pela tristeza que consumia seus olhos e seu ventre (corpo).


O ventre é uma referência ao estômago e assim pode-se dizer que a possível enfermidade de Davi fosse dores no estomago, tipo uma ulcera ou gastrite. Nessa enfermidade crônica, Davi exclama que “a tristeza acabou com suas forças” (Sl 31.10).


Nessa época os hebreus não respeitavam e nem valorizavam a pessoa do médico. Qualquer que fosse o problema físico, os hebreus clamavam a Deus por ajuda. Para os hebreus era carência de fé buscar cura fora de Deus. Os hebreus entendiam que os problemas físicos vinham em decorrência de algum pecado (Sl 103.3). Viviam regidos pela lei moral, ou melhor, tudo era colheita daquilo que haviam semeado. Dessa forma, sendo a doença uma punição da ira divina, buscar cura em médicos ou encantadores era pecado e, buscar pela cura só aumentaria e traria mais sofrimentos. Calvinistas continuam a dar muita ênfase nisso destacando que tudo já está predestinado para ser como é. Há correntes teológicas que culpam demônios por causa das enfermidades. Tenho para mim, que muito do que ouvimos a respeito da contrariedade das vacinas é resultado de teologias distorcidas. Lembre-se: Deus ilumina a mente dos cientistas e não apenas as mentes de alguns supostos indivíduos religiosos.


É preciso destacar que muitas enfermidades são naturais e outras provocadas por nossas escolhas, hábitos de vida e até mesmo decorrência de danos ambientais.


O pensamento da enfermidade como punição era tão inserida na vida dos hebreus que as pessoas ao tomarem conhecimento da doença se afastavam do combalido. Afastar-se era necessário, pois a ira divina que estava sob o achacoso, poderia pesar sob os que ajudassem o enfermo. Recorde-se que Jó foi criticado, ridicularizado e até abandonado.


Davi destaca que as pessoas fugiam dele como pássaros assustados. E assim como as pessoas falavam dele, tentando descobrir seu pecado, o salmista diz confiar Deus (Sl 31.14). A palavra confiança ocorre 152 vezes no novo testamento e traduz o vocábulo veterotestamentário refugiar-se (Rt 2.12), apoiar-se em (Sl 56.3), depender de (Sl 22.8), permanecer (Jó 35.14).


Enquanto as pessoas, que devido a enfermidade e com medo da ira de Deus, se tornaram suas inimigas, Davi confia, permanecendo no Senhor. A fé no Senhor era sua esperança, por isso disse: “nas tuas mãos estão os meus dias” (Sl 31.15).


A palavra traduzida no verso 15 como dias significa envolvido. Nesse sentido, Davi enuncia “nas tuas mãos estão os meus eventos” (Sl 31.15). Ou melhor, não estou sozinho! A mão de Deus está envolvida em sua vida. A existência do salmista não depende tão somente dele próprio, mas dos cuidados do Senhor. Jesus Cristo exclamou: “Não tenham medo daqueles que matam o corpo, mas não podem matar a alma. Porém tenham medo de Deus, que pode destruir no inferno tanto a alma como o corpo” (Mt 10.28). Estamos envolvidos pelas mãos de Deus.


Davi confiava em Deus, por isso disse: “Como é grande a tua bondade” (Sl 31.19). O profeta Isaías disse: “O temor do Senhor é o tesouro mais precioso que o seu povo tem” (Is 33.6). O tesouro do cristão é a bondade de Deus. Essa bondade não termina na enfermidade. A bondade de Deus nos permite buscar e encontrar a cura para os males que roubam as nossas forças e energias.


Pela exposição do salmo, convém recordar a mensagem do profeta Zacarias: “Alegra-te muito, ó filha de Sião!” (Zc 9.9).


Zacarias o profeta da esperança. Zacarias, cujo nome significa Deus lembra trouxe uma mensagem alentadora para o povo de Deus.


Um profeta enviado da parte de Deus para um povo que havia retornado do exilio, mas, ainda sob o domínio dos persas viviam em desanimado devido à hostilidade dos povos vizinhos.

“Alegra-te muito, ó filha de Sião!” (Zc 9.9).


O filho é dependente do pai e sempre precisa de sua ajuda. Com a mensagem do profeta da esperança, Deus está dizendo que seu povo, sua filha, é objeto de sua ajuda e preocupação. Como bem disse o salmista: “nas tuas mãos estão os meus dias” (Sl 31.15).


Estamos iniciando a semana da paixão. A palavra paixão significa emoções que podem ser sentidas. Jesus sentiu nossas emoções e por elas foi até a cruz (Fp 2.8). Esse Senhor continua sentindo nossas emoções e no garante que sua mão está envolvida na nossa vida e por isso, estamos bem independente se saudável ou enfermo, trabalhando ou desempregado, vivo ou morto. Amém!




Rev. Edson Ronaldo Tressmann

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