Morrer em Paz!


Dia 02 de fevereiro lembramos a purificação de Maria e a apresentação de Jesus. É a festa da apresentação de Jesus. Pai e mãe levaram o menino Jesus para Jerusalém, a fim de o apresentarem ao Senhor, conforme está escrito na Lei divina.


A lei mosaica prescrevia algumas exigências ante o nascimento de alguma criança. Era necessário que o primogênito fosse consagrado no ato da circuncisão no sexto dia do nascimento (Ex 22.28; Lv 12.3) e que a mãe fosse purificada após trinta e três dias da circuncisão do filho e por essa ocasião a criança fosse dedicada a Deus.


Estando no Templo de Jerusalém, por ocasião da purificação de Maria e consagração do Senhor, o justo Simeão profetiza sobre o menino Jesus dizendo que o mesmo veio para dividir. Uma profecia aparentemente estranha (Lc 2.34). No entanto, é a marca registrada do ministério de Jesus. Ele sempre teve conflitos diante das tradições rabínicas e com os chefes religiosos. O evangelho sempre está em oposição com a lei. Jesus foi morto, crucificado por causa dessa oposição. Sua morte, crucificação e ressurreição nos libertam da imposição da lei que apenas nos condena.


Jesus é a contradição de Deus. A cruz é a contradição de Deus. A igreja nesse mundo é a contradição de Deus. Afinal, Jesus, a cruz, a igreja, causam divisão.


Ser cristão é viver essas contradições, mas, nunca se deixar levar pela razão que deseja deturpar a mensagem de Deus na obra de Jesus.


A lei exigia a circuncisão (Lv 12.2-3) e nesse dia costumava-se dar nome ao filho. O bebê, assim como anunciado pelo anjo Gabriel recebeu o nome de Jesus. Após os 33 dias, Maria foi purificar-se no Templo (Lv 12.4-8).


É digno de nota observar que a oferta que José e Maria oferecem pela purificação de Maria destaca sua pobreza. A lei prescrevia um carneirinho ou uma ave, mas, sem condições financeiras para tal, a oferta poderia ser duas rolinhas ou dois pombos. A oferta queimada demonstrava a purificação da mãe que cerimonialmente estava impura devido ao fato de ter dado a luz.


Interessante é que Jesus sendo santo, Filho de Deus, seus pais o levam ao Templo para a purificação deles, destacando assim que Jesus veio cumprir toda a lei (Lc 2.22).


No dia 02 de fevereiro a igreja cristã rememora o mistério da apresentação de Jesus no Templo e se lembra da revelação de que Jesus é o juiz escatológico prometido pelos profetas (Ml 3.1-3). Ele é o sumo sacerdote misericordioso que veio para expiar os pecados do povo (Hb 2.17; 1Jo 2.2).


Uma mãe na cerimônia de prurificação e o filho na cerimônia de dedicação. Um acontecimento simples e corriqueiro na vida dos israelitas, mas que não passou despercebido por alguém voltado para as profecias bíblicas e cheio do poder do Espírito Santo (Lc 2.25). Um homem justo e piedoso, que aguardava a consolação de Israel e cheio do Espírito Santo, reconhece nesse bebê o enviado de Deus e anuncia que sua obra, sua mensagem seria causadora de divisão. E já que a espera terminou e a luz raiou, ele e o povo poderiam descansar em paz.


Simeão aguardava a consolação de Deus voltado às profecias bíblicas. E assim pode exclamar: “luz para iluminar as nações e glória do teu povo, Israel” (Lc 2.32).


Iluminado por Jesus e tendo carregado a glória de Deus em seu colo, Simeão diz poder morrer em paz (Lc 2.29-32). Assim como Jesus era sua paz, a paz de muitos, seria também motivo de queda para milhares e a tristeza atravessaria Maria (Lc 2.34), ou melhor, Maria presenciaria a morte de Jesus. E é essa morte que nos ilumina e nos dá paz de espirito e por isso, podemos nós também morrer em paz. Amém!




Rev. Edson Ronaldo Tressmann

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