Lendo as Escrituras com o apostolo Paulo


O que mais chama a minha atenção nos apóstolos é que os mesmos liam e explicavam o Antigo Testamento.


Na carta aos Gálatas capítulo 4, versos 21 a 31, Paulo ilustra a visão tipológica dos dois filhos de Abraão. Ouso dizer, o filho de Abrão e o filho de Abraão.


O desejo do apostolo é que os Gálatas se reconheçam como filhos da mulher livre, filhos e descendentes de Isaque. Nesse momento, Paulo usa um argumento veterotestamentário. Sua argumentação é que Sara e Agar não são apenas pessoas na história. Na verdade, Sara e Agar prefiguram realidades maiores dentro da história da salvação.


Liberdade é um conceito fundamental na epistola aos Gálatas. O tema vem sendo desenvolvido de o capítulo 2 verso 4. Aqui, no capítulo 4, o apostolo Paulo diz que em Jesus Cristo temos liberdade, no entanto essa liberdade só se dá pelo filho da promessa e aos filhos da promessa.


“O filho da escrava foi gerado como todas as crianças são geradas” (Gl 4.23), ou seja, “segundo a carne” é uma censura moral, afinal, Abrão e Sarai tentaram resolver a sua maneira a descendência que parecia não vir. Abrão e Sarai interferiram no plano de Deus. É preciso recordar que a promessa só foi realizada quando humanamente falando era impossível. O filho da mulher livre (Sara) é justamente o filho da promessa (Isaque). Foi a promessa que restaurou o poder reprodutivo em Abraão e Sara.

Agar, a mulher escrava
Sara, a mulher livre
Ismael, nascido segundo a carne
Isaque, nascido mediante a promessa
A antiga aliança
A nova aliança
A Jerusalém atual
A Jerusalém lá de cima
Os filhos do legalismo
Os filhos da promessa
Judaísmo
Cristianismo
Justificação pelas obras da lei
Justificação pela fé em Cristo

“Meus irmãos, vocês são como Isaque; são filhos de Deus por causa da promessa” (Gl 4.28).


Como podemos ser idênticos a Isaque, ou seja, filhos da promessa? No verso 28 a referência a “irmãos” mostra que a maioria dos Gálatas (Gl 1.6) ainda não se afastou da verdade do evangelho.


No verso 29, está escrito: “Naquela época o filho que havia sido gerado como todas as crianças são geradas perseguiu o que havia sido gerado por causa do Espírito de Deus; e a mesma coisa está acontecendo agora” (Gl 4.29).


Em Gênesis 29.8-9 é narrado a festa em que Isaque era desmamado. Sara ficou chateada com o deboche de Ismael em relação a Isaque. Lutero disse que esse deboche foi fazer com que Isaque praticasse a idolatria. Ou seja, os que julgam se salvar por justiça própria sempre irão zombar daqueles que se dizem justificados tão somente pela fé.


“Mas o que é que as Escrituras Sagradas dizem? Elas dizem: “Mande embora a escrava e o filho dela, pois o filho da escrava não herdará a propriedade do pai, junto com o filho da mulher livre” (Gl 4.30; Gn 21.10). As palavras de Sara para Abraão logo após Ismael ter caçoado de Isaque se tornaram palavras de Deus.


Assim, ao escrever “Portanto, meus irmãos, nós não somos filhos de uma escrava, mas de uma mulher livre” (Gl 4.31), o apostolo chama de irmãos e manifesta sua solidariedade aos que não se afastaram de Cristo. Os que creem e se mantém na fé são filhos da mulher livre.


Quão necessário e urgente é ser filho da mulher livre, Gl 4. 30,31; 5.1; permanecendo em Cristo enquanto o mundo oferece tantos outros meios de salvação e liberdade. Amém!




Rev. Edson Ronaldo Tressmann

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