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  • PENSE NISSO Teológica

Em Jesus, Deus faz coisas impressionantes

Jo 1.43-51; Sl 139.1-10


Você já ficou impressionado com o que alguém foi capaz de fazer? Há certas pessoas que fazem coisas impressionantes. Atletas de diversos esportes são capazes de nos impressionar com seus feitos. Ficamos impressionados com atletas como Usain Bolt, por exemplo. Correr 100 metros em menos de 10 segundos, alcançando a velocidade de 44 km por hora? Isso não é pra qualquer um! Foram feitos suficientes para que ele fosse considerado o maior velocista de todos os tempos. Talvez ainda mais impressionante seja o caso de um holandês chamado Wim Hof. Conhecido como homem de gelo, aos 53 anos, ele coleciona 20 façanhas extraordinárias, registradas no livro dos recordes. Uma delas foi permanecer 1 hora e 52 minutos mergulhado num cubo de vidro com gelo até o pescoço. Ele também correu uma meia maratona (21 quilômetros) descalço no Círculo Ártico, a 20°C negativos, usando um pequeno short. Também escalou os 5.895 metros do monte mais alto da África, sem nenhum agasalho. E nadou 80 metros só de sunga no Polo Norte. Impressionante não é mesmo?


Sim, tudo isso é muito impressionante, e existem outras pessoas capazes de nos impressionar imensamente. No entanto, certamente nada é mais impressionante do que o poder e a graça de Deus. Mais do que qualquer pessoa sobre a face da terra, ele é capaz de fazer coisas extraordinárias, que nos deixam impressionados. É isso o que diz o salmista no salmo 139. Em uma extensa reflexão, Davi menciona diversas coisas que Deus é capaz de fazer. Ele menciona a onisciência de Deus, que é o conhecimento de todas as coisas; menciona a sua onipresença, que é capacidade de estar em todos os lugares; e menciona a sua onipotência, que é o poder absoluto e supremo de Deus. E o que torna estas capacidades de Deus ainda mais impressionantes para Davi é porque Ele graciosamente usa todas elas para cuidar dele. Deus conhece Davi e os seus mais profundos pensamentos e anseios melhor do que ele; está com ele em todos os lugares; e usa o seu poder para dar e manter a sua vida.


De maneira especial, Deus manifestou ao mundo esse poder e essa graça em Jesus. É isso o que comemoramos nesse período de Epifania. Por essa razão, somos levados à reflexão sobre o texto do evangelho Jo 1.43-51, que fala do encontro entre Jesus e Natanael.


Natanael foi informado por seu amigo Filipe: “Achamos aquele de quem Moisés escreveu na lei, e a quem se referiram os profetas: Jesus, o Nazareno, filho de José.” Porém, ao ouvir o que seu amigo lhe disse, Natanael não quis acreditar. Jesus era da cidade de Nazaré, e esta não era uma cidade que tinha boa fama. Seria possível que alguém tão importante viesse de um lugar daquele?


No entanto, Filipe insistiu: “vem e vê.” Ele sabia que Jesus seria capaz de levar seu amigo da incredulidade à fé, pois já tinha conhecido o efeito das palavras de Cristo em sua vida. Então, quando Natanael ainda estava se aproximando, Jesus disse a seu respeito: “Eis um verdadeiro israelita, em quem não há dolo!” Natanael ficou admirado com aquilo, pelo que perguntou a Jesus: “donde me conheces?” Ao que Jesus respondeu: “Antes de Filipe te chamar, eu te vi, quando estavas debaixo da figueira.

Não é possível saber o que aconteceu debaixo dessa figueira. Mas, conforme a reação de Natanael, fica claro que se trata de algo muito importante. O fato é que essas palavras de Jesus tocaram seu coração. Ele se sentiu amparado pelo conhecimento de Jesus a seu respeito, assim como o salmista Davi ficou impressionado e se sentiu amparado com o conhecimento de Deus a respeito de sua vida, conforme ele diz no salmo de hoje: “Senhor, tu me sondas e me conheces... tal conhecimento é maravilhoso demais para mim: é sobremodo elevado, não o posso atingir.” (Sl 139.1;6). Desse modo, Natanael deve ter pensado: “este homem sabe tudo sobre mim; ele me conhece melhor do que eu; nele eu posso confiar!” E, impressionado pelo poder e pela graça de Deus manifestados em Jesus, ele acabou declarando: “Mestre, tu és o filho de Deus, tu és o Rei de Israel” (Jo 1. 49).


Aquela foi uma bonita declaração de Natanael, motivada pelo que Jesus manifestou no encontro entre eles. No entanto, o que Jesus fez naquele momento era algo pequeno diante do que ainda estava por vir. Pois ele declarou: “em verdade, em verdade vos digo que vereis o céu aberto e os anjos de Deus subindo e descendo sobre o Filho do Homem.”


Que bela promessa de Jesus! Certamente, isso sim é algo impressionante. Mas quando foi que isso aconteceu? Podemos percorrer os evangelhos do início ao fim e não conseguimos encontrar o relato específico desse acontecimento. É porque na verdade, isso aconteceu o tempo todo, durante o ministério de Jesus.

Ao falar do céu aberto e de anjos subindo e descendo, Jesus estava fazendo referência a um sonho que Jacó teve no Antigo Testamento. Ele sonhou com uma escada que ligava o céu e a terra e pela qual os anjos subiam e desciam (Gn 28.12). Esta escada apontava para o próprio Jesus. Ele é a escada que liga o céu à terra e torna possível que o céu esteja permanentemente aberto para os seres humanos pecadores. Por isso, essa promessa de Jesus se cumpre completamente na sua morte na cruz. É ali que ele de fato liga o céu e a terra, quando cumpre o plano de Deus, trazendo vida e salvação.


A validade dessa obra de Jesus permanece até o fim do mundo. Pelo que ele fez, o mundo todo foi reconciliado com Deus. Por essa razão, de maneira impressionante, Deus permanentemente está cuidando de cada criatura, desejando ardentemente a salvação de cada pecador.


Infelizmente, cegados pelos olhos da carne, pelas preocupações que o mundo nos traz e pelas tentações do diabo, não conseguimos enxergar essa ação e esse cuidado de Deus o tempo todo. Às vezes, olhamos pra nossa vida, cheia de problemas e imperfeições, e não conseguimos perceber nada de extraordinário acontecendo. Às vezes chegamos até mesmo a exigir de Deus que ele realize coisas impressionantes no momento e no lugar em que nós queremos; que ele nos dê bênçãos materiais, curas especiais e outras coisas específicas.


No entanto, o que disse o salmista Davi nos leva a perceber que Deus conhece nossas necessidades melhor do que nós mesmos e constantemente cuida de nós em todos os lugares e a todo instante. Do mesmo modo, a partir do que diz o texto do Evangelho, podemos ter a certeza de que assim como Jesus estava vendo Natanael e se importando com ele, sem que ele soubesse, ele continua observando a nossa vida, cuidando de nós e fazendo coisas impressionantes por nós, sem que percebamos.


Chama a atenção a conversa que aconteceu entre Jesus e Pedro, pouco depois da instituição da Santa Ceia. Nesta conversa, Jesus disse a Pedro que Satanás reclamou ele e os outros discípulos para os peneirar como trigo. Porém, Jesus orou em favor deles (Lc 22.31,32). Ou seja, Satanás estava querendo prejudicar os discípulos, tentando-os, provavelmente com o objetivo de arrancá-los da fé em Cristo. No entanto, Jesus intercedeu por eles, não permitindo que isso acontecesse. E tudo isso aconteceu sem que os discípulos soubessem. Do mesmo modo, sem que nós saibamos, Jesus continua, de maneira impressionante, intercedendo por nós, cuidando de nós para que não sejamos destruídos pela ação do inimigo.


Além disso, é digno de destaque que Jesus realizou a sua maior obra no lugar em que ninguém esperava: no sofrimento e na morte de cruz. De acordo com isso, mesmo que às vezes a realidade não pareça nada favorável aos nossos olhos, somos convidados a confiar e entregar a Deus nossas vidas, na certeza de que ele está trabalhando para o nosso bem.


Portanto, em especial nesse tempo de Epifania, somos convidados a perceber a manifestação do poder e da graça de Deus em Jesus. Natanael percebeu essas coisas. Pelo que parece, ele esperava por alguém que o compreendesse, que conhecesse suas angústias e aflições; que fosse capaz de entender aquilo que se passava em seu íntimo. E foi isso o que ele encontrou em Jesus. Da mesma forma, em Jesus nós encontramos aquilo que nós mais precisamos. Pois ele se tornou homem para conhecer de perto as nossas mais profundas angústias e aflições. Ele se tornou homem para vencer o pecado, a morte, o mundo, o diabo e a nossa carne; para estar conosco até o fim dos tempos, cuidando de nós; e para nos tornar seus instrumentos, na missão de salvar pecadores. Será que tem algo mais impressionante do que isso? Que Deus nos preserve nesta verdade até o fim. Amém.




Rev. Timóteo Felipe Patrício


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