Diante da Fobia!


1 – Refugie-se no amor de Deus (Sl 33.12-22)

2 – Confie na Promessa de Deus (Gn 15.1-6)

3 – Conheça e creia no amor! (1Jo 4.16-21)

4 – Escute as Escrituras! (Lc 16.19-31)

 

Desde aquele fatídico dia, do qual não sei se foi num domingo, numa segunda, terça, quarta, quinta, sexta ou sábado, no espaço de 24 horas, a serpente induzida pelo diabo disse: “Vocês não morrerão coisa nenhuma! Deus disse isso porque sabe que, quando vocês comerem a fruta dessa árvore, os seus olhos se abrirão, e vocês serão como Deus, conhecendo o bem e o mal” (Gn 3.4-5). Desde esse episódio, denominado como queda em pecado, o ser humano desenvolveu fobias.


Você tem alguma fobia? Fobia – medo exagerado; pavor; pânico. Eu tenho ofidiofobia (medo, pavor de cobra).


Logo após a queda em pecado, Adão e Eva desenvolveram a teofobia (medo de Deus): “Eu ouvi a tua voz, quando estavas passeando pelo jardim, e fiquei com medo porque estava nu” (Gn 3.10).


A queda em pecado trouxe consigo todo e qualquer tipo de fobia e a pior de todas é a teofobia. Você tem medo de Deus? O autor à carta aos hebreus escreveu palavras que aterrorizam: “Que coisa terrível é cair nas mãos do Deus vivo!” (Hb 10.31) bem como Moisés: “...o Senhor, nosso Deus, está acima de todos os deuses e autoridades. Ele é grande, poderoso e causa medo. ...” (Dt 19.17).


Assim como na época da Idade Média, tempo em que a igreja e os cristãos viviam enclausurados pelo medo de Deus, milhares ainda hoje veem Deus como um juiz severo e irado. Recordo das palavras de um filho que diante da doença do seu pai disse: “o pai deve ter sido uma pessoa muito ruim, pois veja como está sofrendo”.


Entre as fobias, há a teofobia – o medo de Deus!


Os textos bíblicos - Salmo 33.12-22; Gênesis 15.1-6; 1João 4.16-21; Lucas 16.19-31 - nos levam a reflexão a respeito dos nossos medos e do medo de Deus. Refletir em cada um desses textos nos ensina como lidar com nossos medos e a fobia de Deus.


1 – Refugie-se no amor de Deus


“O Senhor Deus olha do céu e vê toda a humanidade” (Sl 33.13).


Em muitas situações, ao cometer algum pecado supostamente escondido, ao ouvir alguém dizer: Deus vê tudo! chega a dar um arrepio na nuca. Isso mostra o medo da punição de Deus.


“É o Senhor Deus quem protege aqueles que o temem, é ele quem guarda aqueles que confiam no seu amor. Ele salva da morte e nos tempos de fome os conserva com vida” (Sl 33.18-19).


O salmista destaca que Deus socorre os que, mesmo com medo, se refugiam em seu amor e sua misericórdia.


Diante dos seus pecados as pessoas sentem medo em relação a sua salvação. Dessa forma, ao enfatizar “O Senhor Deus olha do céu e vê toda a humanidade” (Sl 33.13) o salmista destaca que a salvação não é conquistada mesmo que se tenha riquezas ou exércitos, pois ao olhar para a humanidade, Deus vê e observa o quanto os pecadores necessitam dEle e assim lhes oferece a salvação gratuita.


Os textos bíblicos - Salmo 33.12-22; Gênesis 15.1-6; 1João 4.16-21; Lucas 16.19-31 - nos levam a reflexão a respeito dos nossos medos e do medo de Deus.


2 – Confie na Promessa de Deus


O relato do capítulo 14 de Gênesis mostra que Abrão fez alguns inimigos poderosos ao libertar Ló do cativeiro ao qual tinha sido colocado. Abrão venceu quatro reis e após a vitória ficou preocupado e estava apreensivo com uma possível retaliação. Se sentindo vulnerável, estava cheio de dúvidas e temores. Nessa situação ouviu a voz de Deus: “Abrão, não tenha medo. Eu o protegerei de todo perigo e lhe darei uma grande recompensa” (Gn 15.1).


A voz divina confirma a bênção de Melquisedeque (Gn 14.19-20) e indica claramente que Abrão poderia contar com a presença, provisão e aprovação de Deus.


Ao abrir seu coração para Deus, Abrão revela outra angústia. A angústia de morrer sem deixar um herdeiro de sangue. Deus diz para Abrão: “Olha para os céus e conta as estrelas, se é que podes”. Deus garante que assim como são incontáveis as estrelas, seriam incontáveis os descendentes que viria do próprio sangue de Abrão (Gn 15.5). Abrão creu na promessa do Senhor e Deus o considerou justo.


No original hebraico a frase é “confiou em Yahweh”, ou seja, assim como uma criança descansa sobre os braços do pai, na certeza do seu cuidado, assim estava Abrão. Num momento de vulnerabilidade Abrão não deixou de crer.


Em meio à fobia de Abrão, Deus lhe disse: não tenha medo.


O amor de Deus lançou fora o medo e o levou a confiar.


O escritor de Hebreus usa o texto de Gênesis 15 para falar do exemplo de fé de Abraão na galeria dos heróis da fé (Hb 11.11,12).


Os textos bíblicos - Salmo 33.12-22; Gênesis 15.1-6; 1João 4.16-21; Lucas 16.19-31 - nos levam a reflexão a respeito dos nossos medos e do medo de Deus.


3 – Conheça e creia no amor!


O apostolo João enfatiza: “Deus é amor” (1Jo 4.16).


Essas palavras deveriam alegrar e consolar, mas, para muitos soa de maneira estranha no ouvido de muitas pessoas.


Deus nada mais é do que AMOR. Suas ações fluem do seu amor. Deus nos ama não por causa de nossas obras, mas sim, por causa do seu amor. O magnifico é que pelo poder do Espírito Santo “nós mesmos conhecemos o amor que Deus tem por nós e cremos nesse amor” (1Jo 4.16).

Deus é amor (1Jo 4.16).


Uma frase pequena – com apenas duas palavras! No entanto, com um sentido profundo. É uma frase que requer uma fé muito grande e só é possível crer e conhecer pelo poder do Espírito Santo.


“E nós mesmos conhecemos o amor que Deus tem por nós e cremos nesse amor” (1Jo 4.16), e “...o seu amor enche completamente o nosso coração” (1Jo 4.12) e “no amor não há medo; o amor que é totalmente verdadeiro afasta o medo” (1Jo 4.18).


O medo (fobia) a qual o apostolo João se refere é aquele que apavora a pessoa e a que a torna incapaz de crer. Dessa forma, ao dizer que “no amor não há medo” o apostolo diz que não há necessidade de teofobia, ao contrário, por causa do amor com o qual Deus nos aproximou dEle em seu Filho Jesus, estamos sem medo.


O medo é usado pelo diabo para atacar a confiança nesse Deus de amor. E para nos auxiliar nesse ataque diabólico, somos guardados na fé e na verdade pelo Espírito Santo de que “Deus é amor (1Jo 4.16)” e “...nós mesmos conhecemos o amor que Deus tem por nós e cremos nesse amor” (1Jo 4.16).


Os textos bíblicos - Salmo 33.12-22; Gênesis 15.1-6; 1João 4.16-21; Lucas 16.19-31 - nos levam a reflexão a respeito dos nossos medos e do medo de Deus.


4 – Escute as Escrituras!


O comportamento dos fariseus (Lc 16.14s) deu ensejo para que Jesus apresentasse a parábola de Lázaro e do homem rico.


Os fariseus eram ricos e se apegavam ao dinheiro e aos bens materiais. Os mesmos descartavam com escárnio a exortação do Senhor quanto às riquezas e desprezavam os necessitados. Dessa maneira, Jesus traz um alerta aos que por orgulho e egoísmo utilizavam seus bens terrenos apenas para fins egoístas e interesseiros (Lc 16.19-31).


Na parábola “do homem rico e do pobre Lázaro” não são citadas maldades e atrocidades do rico. A questão não eram as maldades que o rico praticava, mas o bem que ele deixava de realizar em relação a Lázaro.


Lázaro não é o personagem principal. Ele aparece sofrendo e suportando as dores e tormentos que poderiam ser socorridos por aquele rico que optou em não fazê-lo.


A parábola mostra um homem rico em seus afazeres terrenos e a forma como aproveitava a vida, sendo um administrador infiel em relação ao que demandava “a lei e os profetas”.


As palavras “certo homem, porém, era rico” introduzem o personagem principal da narrativa. O texto descreve a esplêndida vida de opulência desse homem rico. Banquetes festivos aconteciam não uma vez ou outra, mas diariamente em sua casa. Em todos os divertimentos ele ostentava o esplendor pomposo de suas magníficas vestes.


Para contrastar com esse esplendor e luxo Jesus apresenta um homem destituído de qualquer sorte temporal na mais profunda miséria. Assim como o rico se regozijava magnificamente todos os dias, assim, a penúria do mendigo era sua deplorável situação diária.


O que chama atenção é que não se menciona o nome do rico, enquanto o do pobre é citado. É a única vez que um nome do personagem é citado entre todas as parábolas de Jesus.


O nome Lázaros deve ser derivado tanto de Lo-eser quanto de Ele-azar. O nome Lo-eser significa “sem ajuda” - um pobre destituído de ajuda. Ele-azar significa “Deus é a ajuda” - seria alguém que permite que Deus seja seu socorro. O nome Lázaro “Eleazar” aponta para o fato de que o pobre suportou sua miséria na confiança em Deus.


Lázaro jazia “jogado” no acesso ao portão do rico. O termo “jogado” significa que o pobre nem mesmo era capaz de movimentar-se livremente e, as pessoas que o traziam à frente da porta do rico, livravam-se dele como de um fardo pesado que se lança por terra.


Lázaro jazia diante do portão coberto de chagas. Uma enfermidade maligna, claramente visível, que demandava urgentemente um cuidado misericordioso e, a necessidade de cuidado e a fome deveria ter causado a compaixão do rico. Contudo, na casa do rico não havia disposição para ajudar esse homem necessitado, havia espaço apenas para ostentação. Os únicos que se compadeciam do pobre eram os cães: “... os cães vinham e lambiam suas chagas”. O pobre não recebeu cuidado nem atendimento de quem poderia lhe oferecer.


A morte foi sua bem-aventurança. Como o pobre foi sepultado? Jesus permite entrever que a morte representou o fim do sofrimento do pobre. Da terra, palco de seu sofrimento, os anjos o carregaram ao colo de Abraão. Na teologia judaica “o seio ou colo de Abraão” é designação da felicidade máxima.


O rico também morreu “e foi sepultado”. A pompa seguiu o rico até no seu sepultamento. De todos seus bens, restou-lhe somente a sepultura. Enquanto o pobre foi carregado pelos anjos ao colo de Abraão, o rico foi carregado com toda pompa para a sepultura. Com a morte, Lázaro foi liberto dos sofrimentos que o atormentavam nesse mundo. Com a morte o rico passou a sentir os tormentos eternos. Os versos 23 a 26 mostram a mudança das situações do rico e do pobre após a morte.


Hades é o nome grego de Sheol no Hebraico. É o lugar onde ficam as almas que partiram (Gn 37.35; At 2.27,31). Esse lugar é dividido em duas partes. Um é o local de beatitudes para os devotos e o outro é local de tormento para os ímpios (Gehenna).


O rico levantou os olhos – gesto de alguém que está atormentado e busca por socorro. O ex rico viu Abraão à distância e o pobre Lázaro em seu colo. Aquele que ouvia as súplicas de Lázaro, agora suplica para que o pobre refrigere sua língua com uma gota de água na ponta do dedo.


O socorro que o rico busca era o socorro que Lázaro desejava obter em vida. No entanto, enquanto no mundo isso é possível, mas, após a morte não é mais.


O ex rico se desespera por saber que seus irmãos estão seguindo o mesmo caminho e terão o mesmo fim eterno. Deixe que Lázaro ressuscite e avise meus irmãos. E a resposta é enfática: “eles têm Moisés e os Profetas; ouçam-nos” (Lc 16.29).


A resposta mostra que os irmãos do ex rico aproveitassem em vida para ouvir o ensino de Deus no Antigo Testamento, onde eram advertidos quanto ao perigo das riquezas. Que eles dessem atenção as Escrituras e deixassem de ser insensíveis em relação aos pobres e miseráveis.


Os irmãos do rico não precisavam de um milagre. Precisavam dar ouvidos e obedecer as Escrituras sobre o socorro ao necessitado. Para o rico mais valia o impacto do milagre do que as Palavras das Escrituras. Não é atoa que estava no inferno.


A resposta de Abraão mostra que a Escritura é eficaz para conduzir ao arrependimento. Nas Sagradas Escrituras tem tudo o que precisamos saber para nossa conversão e redenção.

O ensino de Jesus aos fariseus vale para cada pessoa rica ou pobre em nossos dias. Muitas vezes há tanto apego ao dinheiro e aos bens a ponto de nem sequer socorrer os mais pobres e mais necessitados.


É preciso escutar a parábola contada por Jesus e nos precaver contra o uso egoísta do dinheiro que nos afasta das pessoas e de Deus.


Os textos bíblicos - Salmo 33.12-22; Gênesis 15.1-6; 1João 4.16-21; Lucas 16.19-31 - nos levam a reflexão a respeito dos nossos medos e do medo de Deus.



 


Rev. Edson Ronaldo Tressmann

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