Caminhando por um vale!


No dicionário a palavra vale tem um significado muito peculiar. É descrito como uma “depressão” alongada entre duas montanhas, ou um “acidente” geográfico cujo o tamanho pode variar entre alguns quilômetros quadrados ou centenas de milhares de quilômetros quadrados ou um “alongamento” cavado por um rio ou geleira.


Cada descrição da palavra “vale” chama a atenção, pois elas começam com: depressão, alongamento e acidente. O vale é um problema que acometeu uma parte geográfica de um terreno que deveria ser normal. O vale tem também características interessantes, pois esta entre montanhas, rios, geleiras, plantas e árvores.


Assim é a vida! Às vezes estamos num processo de depressão e não entendemos o que e porque está acontecendo. É o período caracterizado como “alongamento” onde o tempo parece não andar e cada minuto é, sem dúvida, um momento de dor e falta de entendimento, é o denominado “acidente” de percurso.


O que fazer quando estamos caminhando pelo vale?


Um pregador tinha acabado de perder a sua família em um trágico incêndio. Caiu nas profundezas de uma depressão. Num dia, do nada decidiu caminhar por uma rua da cidade. Deparou com uma equipe de construção que estava construindo uma nova igreja.


De longe ficou observando um trabalhador que estava esculpindo um triângulo de pedra com um martelo. Aproximou-se e perguntou ao escultor sobre a razão dele estar fazendo aquilo.


O trabalhador apontou para a torre da igreja e disse: “Você vê aquela pequena abertura lá em cima, perto da torre? Bem, eu estou esculpindo essa pedra aqui em baixo, de modo que ela possa se encaixar lá em cima”.


O pregador se viu como a pedra sendo esculpida para ser colocado no devido lugar dentro de um plano maior.


O texto de Gênesis 11 mostra que no vale de Sinar ao confundir as línguas, Deus estava atuando para que seu plano de salvação fosse realizado mesmo contrariando o plano de Ninrode.


O salmista Davi escreveu no Salmo 23: “ainda que ande por um vale escuro como a sombra da morte, não teria medo, pois o bom pastor estará comigo” (Sl 23.4).


Davi sabia depender completamente de Deus e em uma de suas caminhadas por um vale, compôs o Salmo 143. Aprendamos com Davi, se caso estivermos caminhando por um vale.


“O meu inimigo me perseguiu até me pegar e me derrotou completamente” (Sl 143.3).


Diante dos seus inimigos, Davi se sentia derrotado! Seus inimigos queriam prejudica-lo. Ele se sentia como alguém que estava sendo pisoteado e quebrado.


O único destino que Davi enxergava era o sepulcro. Parecia que sua situação não havia solução e nesse profundo vale disse: “..., estou quase desistindo, e o desespero despedaça o meu coração” (Sl 143.4).


Humanamente falando, o salmista sabe que não encontrará solução nos seres humanos. Para o salmista a sua alma era como um deserto devastado onde não havia água, e assim nada crescia e havia apenas areia e rocha, por isso clamou: “A ti levanto as mãos em oração; como terra seca, eu tenho sede de ti” (Sl 143.6).


O caminho pelo vale nem sempre é fácil, em vista disso foi levado ao desespero.


Muitas pessoas ao caminharem por vales, em seu desespero não apenas pelo perigo, mas, principalmente por se julgarem um pecador e seu castigo é caminhar por tal caminho penoso. Caminhar tornou-se um castigo e um pesado fardo.


Esse não era o sentimento do salmista, ao contrário, suas palavras: “Ó Senhor Deus, ouve a minha oração! Escuta o meu pedido. Responde-me, pois és fiel e bom” (Sl 143.1) demonstram que a justiça de Deus não está na vingança, mas no seu amor. Deus age de acordo com seu amor, tanto que no Salmo 103, Davi mesmo escreveu: “O Senhor não nos castiga como merecemos, nem paga de acordo com os nossos pecados e maldades” (Sl 103.10).


O apostolo Paulo destaca essa verdade (Rm 1.16-17) bem como Jó (Jó 37.23). O profeta Jeremias destaca que por amor, Jesus é a justiça do pecador (Jr 23.6).


Em meio ao vale, Davi cercado por perigo de morte, seu maior anseio era que a oração fosse respondida rapidamente: “Ó Senhor Deus, responde-me depressa, pois já perdi todas as esperanças!...” (Sl 143.7).


Quando estamos caminhando por um vale, tudo parece demorar mais. O tempo parece ser diferente. O ponteiro do relógio parece estar paralisado. O desejo é de uma intervenção divina rápida. O salmista suplica: não atrase! Rápido, me responda! Eu estou pronto a desistir e morrer.

Caminhar pelo vale tem o seus benefícios: o maior deles - arrependimento. “Não julgues a mim, este teu servo, pois ninguém é inocente diante de ti” (Sl 143.2).


Arrepender-se é reconhecer a situação diante de Deus. Por mais que não seja punição pelo pecado, caminhar por um vale desperta nossa consciência diante de Deus.


O vale causado pela perseguição dos seus inimigos levou Davi a reconhecer que não é melhor que seus inimigos. Ele sabe que é pecador e sua súplica a Deus não se baseia nos seus méritos. Mesmo reconhecendo seus pecados, Davi olha somente para a bondade e misericórdia de Deus, por isso, expressa seu desejo: “Peço que todas as manhãs tu me fales do teu amor, pois em ti eu tenho posto a minha confiança” (Sl 143.8).


Se caminhar pelo vale me conduz a um relacionamento diferenciado com Deus, que nunca deixemos de caminhar por um vale.


Há situações na vida em que suplicamos que os espinhos sejam retirados, mas, Deus nos sustenta em sua graça (2Co 12.9-10) e nessa graça Ele deseja que vivamos.


Caminhar pelo vale nos conduz a oração confiante: “Ó Senhor Deus, ouve a minha oração! Escuta o meu pedido. Responde-me, pois és fiel e bom” (Sl 143.1).


Caminhar pelo vale nos faz sentir dependentes de Deus: “A ti levanto as mãos em oração; como terra seca, eu tenho sede de ti” ( Sl 143.6).


O simples gesto de levantar as mãos significa que o filho está diante do seu pai e pedindo socorro. Levantar as mãos mostra a atitude de alguém completamente dependente de outro. Dependemos de Deus!


Ao orar: “Ó Senhor Deus, livra-me dos meus inimigos, pois em ti encontro proteção” (Sl 143.9), Davi confessa com a frase “encontrar proteção” era o mesmo que “esconda-me contigo”. Davi estava dizendo que assim como Deus estava seguro, no Senhor, Ele também estava.


No Senhor estamos seguros, não importa se iniciamos nossa caminhada pelo vale agora, se estamos no meio ou a final da caminhada.


Recorde-se que aquele que veio, morreu e ressuscitou disse: “No mundo vocês vão passar por sofrimentos, mas tenham bom ânimo, eu estou contigo. Eu já caminhei e venci por esse vale” (Jo 16.33). Amém





Rev. Edson Ronaldo Tressmann

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