Bom samaritano!


Uma parábola profunda e instigante contada por Jesus e registrada apenas pelo evangelista pesquisador Dr. Lucas.


O escriba (mestre e interprete da lei) queria manter a discussão num nível complexo e filosófico, mas, Jesus conduz a discussão para o campo prático do amor e da ação.


“E eis que certo homem, intérprete da Lei...” (10.25).


Não foi qualquer pessoa que buscou dialogar com Jesus. Esse homem era um doutor da lei, um experimentado professor de teologia, um perito hermeneuta, alguém que conhecia com profundidade toda a lei.


Mesmo gabaritado, esse homem aproximou-se com uma motivação errada para dialogar com Jesus. O texto narra que “... se levantou com o intuito de pôr Jesus à prova...” (Lc 10.25b). Não havia nenhuma honestidade no propenso diálogo. O objetivo não era aprender, mas embaraçar, colocar Jesus numa enrascada.


Quantas vezes nos aproximamos de alguém com uma falsa intenção de diálogo?


Gabaritado pelo seu academicismo, todavia, com motivação equivocada e teologicamente claudicada, o mestre da lei pergunta: “Mestre, que farei para herdar a vida eterna?” (Lc 10.25).


O doutor em teologia, intérprete da lei, supunha que a vida eterna era uma conquista das obras, ou da suposta observância da lei. Para o mestre da lei, a salvação era uma questão de merecimento humano e não uma dádiva divina.


A pergunta para reflexão nesse ponto é: Como herdar a vida eterna? Sabemos que para herdar alguma coisa é necessário ser herdeiro legal. Israel, herdeiro legal perdeu a sua herança, pois deixou de ser luz para as nações ignorando a lei divina.


Para o intérprete da lei, Jesus deseja saber sua conclusão da lei que o mesmo conhecia, perguntando: “Que está escrito na Lei? Como interpretas?” (Lc 10.26).


No diálogo, Jesus remete o intérprete para a área de seu conhecimento, a lei. E dessa forma, Jesus deseja saber se pela lei escrita e interpretada aquele homem pode ser salvo. A resposta daquele intérprete indica que a lei de Deus se resume no amor a Deus e ao próximo.


Você sabe que a lei de Deus se resume no amor a Deus e ao próximo? Você ama a Deus? Ou há deuses sugando sua energia, tempo e dedicação? Você ama o próximo? Qual próximo? Só aquele que faz parte do seu círculo de afinidade?


O intérprete da lei sabia que a lei de Deus exige uma perfeita relação do homem com Deus e com o próximo. A lei exige perfeição absoluta e nenhum homem é capaz de atender à demandas da lei. A Palavra de Deus anuncia: “Não há justo, nem um sequer” (Rm 3.10).


O doutor da lei, é semelhante a muitos de nossos dias, conhecia a letra fria da lei, mas não sabia interpretá-la a ponto de coloca-la em ação. Sua resposta revela que ele apenas interpretava a letra da lei, mas não conhecia o propósito da lei.


O objetivo da lei é revelar o quanto estamos afastados de Deus. Alguém disse que a lei é como uma radiografia: mostra nosso pecado, mas não remove o pecado. O apostolo Paulo descreveu a lei como aio, ou seja, somos como crianças conduzidas pela mão para outro lugar. A lei me conduz o pecador a Jesus (Gl 3.24).


A lei de Deus exige uma perfeita relação do homem com Deus e com o próximo. Você tem essa relação perfeita com Deus e o próximo?


Jesus na conversa proposta pelo mestre da lei o faz compreender que mesmo sendo intérprete da lei, é incapaz de cumpri-la. Jesus disse: Então, Jesus lhe disse: Respondeste corretamente; faze isto e viverás (Lc 10.28).


Jesus deixa muito claro para aquele doutor na lei que ele já sabia o caminho para herdar a vida eterna e que bastava seguir por esse caminho.


Quem pode guardar a lei? Quem é apto para cumpri-la? Quem pode alcançar esse padrão de perfeição absoluta?


O doutor da lei vendo sei equívoco diante da lei divina tenta se esquivar propondo outra pergunta: Ele, porém, querendo justificar-se, perguntou a Jesus: Quem é o meu próximo? (Lc 10.29).


Nesse momento Jesus conta uma história e nela reprova a atitude dos religiosos fanáticos (sacerdote e levita) e exalta a atitude do rejeitado (samaritano).


Ao destacar que enquanto um judeu descia de Jerusalém para Jericó, num caminho de 27 km, considerado como “caminho sangrento”, foi tratado violentamente e roubado pelos assaltantes e também pelo sacerdote e o levita.


A indiferença do sacerdote e levita não foi menos grave que a violência dos assaltantes, afinal, eles sabiam que a lei prescreve o socorro ao necessitado, mas, recusaram socorrer aquele homem pensando apenas na pureza cerimonial (Nm 19).


Por esse mero detalhe cerimonial, imaginavam cumprir a lei. O apostolo Paulo escreveu: “...amar é obedecer toda a lei” (Rm 13.10).


Sacerdotes e religiosos da época se julgavam melhores que as outras pessoas pela sua suposta pureza cerimonial. Não poderiam socorrer o ferido e nem ser tocado pelo samaritano sendo que não era do povo de Deus para não ficarem contaminados cerimonialmente.


O samaritano que era desprezado pelos supostos observadores da lei, cumpriu a lei com excelência amando alguém que naquele momento estava extremamente necessitado de socorro e nem sequer o conhecia.


Meu próximo é aquele que precisa de mim!


Você passou por alguém que precisou de ajuda?


A parábola do bom samaritano retrata dois tipos de pecado – a violência e a negligência! Tantos os ladrões bem como o sacerdote e levita estavam no mesmo patamar. Os ladrões feriram e o sacerdote e levita não prestaram socorro.


Desses dois pecados, com qual estamos flertando? A violência ou a indiferença?


O samaritano não se incomodou por ser considerado indigno pelos judeus e desprezado por eles. Fez o que os observadores da lei deveriam fazer. O samaritano tratou o judeu como seu próximo mais próximo socorrendo-o num momento de extrema necessidade.


O interprete da lei, preso em seu fanatismo respondeu para Jesus que o próximo do judeu ferido foi aquele que usou de misericórdia. Ele nem quis falar que foi um samaritano, tamanha era sua rejeição. E era esse homem que desejava fazer algo para conseguir a vida eterna.


Há muitas pessoas presas em suas tradições religiosas. Vivem supostamente o cristianismo de banco de igreja. Mas, no dia-a-dia, despreza seu próximo. De algumas pessoas nem citam o nome tamanho é o desprezo para tal pessoa. Outras vezes, o julgamento e o preconceito impedem uma aproximação.


Jesus desafia o intérprete da lei a agir como agiu aquele samaritano! (Lc 10.37). Jesus desafia você a agir como agiu o samaritano com aquela pessoa que você discrimina e julga. Que tal?


Todo aquele, seja quem for, que precisa da minha ajuda é meu próximo. Ele não precisa do meu julgamento e discriminação. Cristão que junta as mãos para orar é aquele que abre os braços para agir.


Archibald Thomas Robertson destaca com propriedade que: “Esta parábola do bom samaritano tem edificado os hospitais do mundo e, se compreendida e praticada, removerá o preconceito racial, o ódio nacional, o ódio e a inveja entre classes”.


Lembre-se: fomos e somos socorridos por Jesus – nosso bom samaritano e assim, somos enviados por Jesus para sermos bons samaritanos para outros. Amém!





Rev. Edson Ronaldo Tressmann

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