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  • PENSE NISSO Teológica

Água que sacia nossa sede de vida!

Não sei se vocês já passaram pela necessidade de água. Provavelmente sim, houveram momentos em nossas vidas em que tudo o que mais desejávamos era um bom gole de água. Não somos como os beduínos, moradores nômades do deserto que são capazes de sobreviver sem água por vários dias. Somos pessoas mal acostumadas neste sentido pois precisamos a cada instante de um bom pouco de água.


Às vezes agimos como verdadeiras crianças diante da água: não queremos apenas água, queremos algo a mais. Agua não é o suficiente para nós, queremos um suco. Queremos uma outra bebida, qualquer uma, desde que não seja água. E por mais que nos alertem sobre os benefícios de bebermos água, lá estamos nós reclamando do fato de termos “apenas água” para beber.


Mas e quem não tem nem água?


Hoje boa parte da população mundial não tem água o suficiente para viver. São pessoas que são esquecidas nas políticas e nas nossas orações não é mesmo? Se para nós faltar chuva por um mês ou dois, ainda assim teremos água para sobreviver, mas... nossas liturgias se enchem de pedidos de oração a Deus pedindo água. E quando é que nós lembramos de pedir a Deus que envie água sobre aquelas pessoas que não tem mais nem o que beber? Estão relegadas a um patamar inferior ao que nós concedemos às nossas plantas, pois não lembramos de colocar entre nossos pedidos que Deus abençoe aquelas pessoas com mínimo possível: água para sobreviver.


1 – Israel era um povo com a boca seca.

Certa vez aconteceu algo diferente. Um colega pastor entrou em contato comigo por meio de mensagem e me passou um aviso muito importante. O aviso dizia que no hospital da minha cidade havia um senhor que desejava receber o pastor e conversar com ele. Ele havia vindo de uma cidade maior, próxima do local onde resido, e estava, na verdade, há várias semanas no hospital.


Agradeci o contato e no horário combinado fui ao hospital. É um hospital pequeno, simples, que não dispõe de equipamentos para situações mais complexas. Confesso que fiquei curioso com aquilo: porque alguém viria de uma cidade maior e de um hospital certamente muito mais equipado para um hospital tão carente quanto o de minha cidade? Quando cheguei à porta do quarto, bati e entrei. Lá estava a família de um senhor muito alegre, educado e que no exato momento em que me viu demonstrou alegria pela minha presença. Ali estavam seus filhos e esposa.


Então conversamos um pouco, onde procurei conhece-lo. Ele me relatou um pouco das suas dificuldades e sofrimentos. Em todos os momentos ele falava da sua alegria em estar com Jesus, o que no fez até mesmo a conversarmos sobre o que encontraríamos no céu. Coisas banais, como chimarrão, futebol, etc...


Trouxe para a família uma leitura bíblica e um momento de oração, onde aquele senhor segurou firme a minha mão, embora já não tivesse mais os movimentos das pernas, suas mãos continuavam fortes. Ali, de olhos fechados, de mãos dadas, eu e aquele senhor oramos a Deus pedindo por sua graça e misericórdia. Ao me despedir pedi que a filha me acompanhasse para podermos combinar formas de nos ajudarmos mutuamente.


Do lado de fora do quarto, ela abriu o seu coração e então eu entendi o que estava acontecendo. Seu pai era um paciente com câncer, em estado terminal. Ele não teria mais do que dois ou três dias. Ele havia perdido o movimento das pernas a poucos dias e tudo indicava que seu estado de saúde vinha piorando cada dia mais. Ela me abraçou e me disse o quanto foi bom ouvir a Palavra de Deus ali com ele, pois ele assim desejava.


Fiquei com um pouco de remorso por não ter levado à ele a Santa Ceia naquele momento, mas, que bom, no outro dia pela manhã eu retornaria ao hospital e assim teria a oportunidade de celebrarmos quem sabe, a última ceia. Na outra manhã, lá estava eu batendo à porta do quarto e encontrando novamente aquele senhor. Ele me recebeu com a mesma alegria do dia anterior.


O filho que ali o acompanhava relatou que o pai passou a noite toda dizendo que estava com sede. Ele sentia uma sede incontrolável e a água que ele bebia não fazia efeito. Será que você pode imaginar o quão terrível é isto? Sentir uma sede que nunca se sacia? Ele tinha a boca ressequida pela água que desejava. Em seus olhos pude ver que sua sede era mesmo terrível enquanto ele conversava comigo.

Quantas pessoas você conhece que estão vivendo na sede extrema? Não falo da sede de água H2O, mas falo da sede espiritual, da presença de Deus. Conheço pessoas que andam por esta vida como mortas, sedentas de uma água que procuram em todo lugar mas não encontram. Estão com suas bocas rachadas de tanta secura do Espírito de Deus, mas não conhecem ou não querem ter esta sede saciada, achando assim estarem vivendo de verdade.


Todas as pessoas do povo de Israel estavam com suas bocas ressequidas. Eles haviam saído do Egito, haviam visto as maravilhas de Deus por meio de milagres grandiosos como fora o passar no meio do mar vermelho sem molhar a ponta do pé.


Mas estavam com a boca seca.

Eles viram Deus providenciar do céu o maná para que tivessem alimento e, além disso, comeram carne em abundância. Deus havia os livrado, sustentado, protegido e guiado. Mas agora, diante do lugar chamado Refidim, o povo sofria com a sede.


“Está o Senhor no meio de nós ou não?” eles perguntavam. Não bastou todos os sinais realizados por Deus eles ainda duvidavam. Eles ainda queriam testar Deus para ver o que Ele iria fazer. Ameaçaram Moisés pois ele era o representante divino no meio do povo.

Israel era um povo com a boca seca. De água e de Espírito.


2 – A mulher samaritana estava de boca seca.

No evangelho de João encontramos Jesus cansado. Ele estava viajando e ao chegar no local onde havia o poço tradicionalmente chamado de “Poço de Jacó”, ele se sentou. Enquanto os discípulos foram buscar comida uma mulher se aproximou dele e começaram a conversar.


Não era qualquer mulher. Era uma samaritana. Os samaritanos estavam sempre em discussão com os judeus e por isso não se davam bem. Eles eram tratados como inferiores aos “verdadeiros” judeus, que prestavam o “verdadeiro” culto a Deus no templo, em Jerusalém, que era o “verdadeiro” lugar para se adorar a Deus. Os samaritanos? Eles não mereciam fazer isso, era o pesamento vigente.


Então não é de espantar a surpresa da mulher quando Jesus lhe dirige a palavra: Dá-me de beber! Ela reage: “Não sabe que sou samaritana? Não me conhece, tu és homem, judeu desconhecido e me dirige a palavra?”


E a conversa que Jesus dirige vai aprofundando-se cada vez mais. Ele começa a falar da água que jorra sem parar, água que mata a sede para sempre, água que só ele, que é sim maior do que Jacó, pode dar. Ela quer receber desta água, pois afinal, ela está com a boca seca.


3 – Verdadeiros adoradores saciados pela água da vida.

A questão que envolve o texto não é a água em si. Não é a sede carnal, mas é o que Deus faz para saciar a sede eterna daquelas pessoas. O povo de Israel – através dos anciãos – Moisés ferir a rocha e dela jorrar água. Onde havia morte Deus fez brotar vida, onde havia calor e suor Deus fez brotar o frescor. A promessa de Deus estava estendida ao povo, que secos do Espírito ainda não enxergavam. Agora, Deus os traz para receberem a água da vida, a água que brota do rochedo da nossa salvação (Sl 95). A rocha torna-se a nossa salvação pois ela traz a água do Espírito para aquele povo desconfiado e teimoso.


O quanto nós temos sido povo desconfiado e teimoso? Dizemos, ó Senhor, porquê? Enquanto Deus está em pé ao nosso lado dizendo, “Meu filho, estou aqui, confia em mim, não te deixarei de boca seca!” A doença vem e nós nos lamentamos. A queda acontece e nós reclamamos. A fome bate e nós questionamos Deus.


Mas e o pecado? E toda a dor e peso que jesus carregou por nós? Ele tornou-se a nossa pedra de salvação para termos vida verdadeira e paz eterna. Só nele encontramos este caminho.


Para a mulher samaritana, Jesus traz a água da vida que consiste não apenas no matar a sede física mas saciar a vontade dela em poder adorar o Deus eterno mesmo que ela não possa estar no templo de Jerusalém. Para ela aquele era o lugar. Para Jesus, aquele era o coração.


Adoramos Deus em espírito. É assim que ele escolheu saciar a nossa sede. Nos tornamos seus filhos por ação da sua misericordiosa mão, que nos mostra que podemos adorar a Deus onde quer que estejamos.


Quando celebrei a Santa Ceia com aquele senhor, ele ficou muito feliz e agradecido, e a sua boca não estava mais seca. Nem o seu coração.


Pastor Egon Griesang

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