“Senhor, tu me sondas e me conheces”

Há pelo menos 20 sondas espaciais ativas no sistema solar. Em Marte, há oito sondas. Três na lua. Uma em Vênus. Duas no sol e uma em Júpiter. Há também três em asteroides e três fora do sistema solar.


Cada descoberta que uma dessas sondas faz a respeito do sistema solar, o ser homem sente-se surpreendido. E seu espanto se deve ao fato de descobrir algo que ressalta a criação de Deus e não as teorias humanas.


Entre as publicações cientificas dos últimos 25 anos, as palavras mais usadas são: inesperado, surpreendente e fascinante, com o sentido de “não esperávamos por isso”. Ou seja, a sondas encontram exatamente aquilo que a ciência não quer reconhecer: a grandeza de Deus.


“Senhor, tu me sondas e me conheces” (Sl 139.1).


A palavra “sonda” é a tradução do termo hebraico chaqar. Essa palavra tem como significado “pesquisar; procurar; penetrar; examinar detalhadamente”.


O profeta Jeremias disse ao povo de Israel: “Eu sou o Senhor que sonda o coração e examina a mente, para recompensar a cada um de acordo com a sua conduta, de acordo com as suas obras” (Jr 17.10). Jesus revelou à João, e o mesmo escreveu em Apocalipse: “...todas as igrejas saberão que eu sou aquele que sonda os rins e os corações. E darei a cada um de vós segundo as vossas obras” (Ap 2.23).


“Senhor, tu me sondas e me conheces” (Sl 139.1).


Quem é esse que nos sonda? É Deus, o Senhor. E esse Deus e Senhor descrito pelo Salmista se apresenta nas palavras dessa bela poesia e cântico, como sendo Onipresente. Ou seja, está presente em toda a parte e enche todas as coisas.


Davi exalta a onipresença e onipotência de Deus. O profeta Jeremias anunciou: “Esconder-se-ia alguém em esconderijos, de modo que eu não o veja? diz o Senhor. Porventura não encho eu os céus e a terra? diz o Senhor” (Jr 23.24). Ou, como ressaltou Davi: “Para onde me irei do teu espírito, ou para onde fugirei da tua face?” (Sl 139.7).


Depois de saber que Deus é quem me examina e conhece, cabe nos uma pergunta: Quando Deus pesquisa, procura, penetra, examina detalhadamente, o que ele encontra?


Não podemos ser ateístas e negar a realidade do pecado e nem ser panteísta, acusando Deus de ser a causa do pecado. O ensino da onipresença de Deus é uma maneira que Deus nos concede para podermos agir de maneira correta, tentando evitar o pecado, pois Deus não incentiva e nem aprova o pecado (Gn 2.17; 3.8; 4.6-7; Sl 5.4-5).


As pessoas negam que alguns seres humanos sejam pecadores. Muitos até afirmam que crianças não nascem em pecado. No entanto, lendo Romanos 6.23: “o salário do pecado é a morte”, fico pensando: se as crianças não tivessem pecado, de nenhuma maneira elas morreriam. Esse pecado não é pecado por ter sido cometido pela criança, mas o qual está cravado na geração humana após a queda em pecado no paraíso.


Quando Deus, em sua onipresença, onipotência e onisciência, examina profundamente o ser humano, o que ele realmente encontra é que pensa, age e fala de maneira pecaminosa. Encontra um ser humano corrompido pelo pecado. E essa corrupção se apresenta dia após dia, através da violência, ódio, corrupção, ...


Sendo que o “Senhor, ... me sondas e me conheces” (Sl 139.1), o que fazer?


Podemos nos guiar pelo pedido de Davi: “Sonda-me, ó Deus, e conhece o meu coração; prova-me, e conhece os meus pensamentos. E vê se há em mim algum caminho mau, e guia-me pelo caminho eterno” (Sl 139. 23-24).


As sondas que os seres humanos enviam para o espaço tem o objetivo de que se avance cientificamente. Ao pedir que Deus nos sonde, é clamar para que tenha misericórdia de nós. É pedir uma luz, uma direção. É como gritar do íntimo em oração: Deus, eu não sei de fato quem sou, mas pelo pouco que sei, quero só uma direção. Ajuda-me!


Mas, por qual razão eu posso fazer esse pedido a Deus?


Por que Deus tem por mim amor (Rm 5.8). Por que Deus quer me sarar (Os 6.1).


Esse amor de Deus pode ser observado nas palavras do próprio Davi. Recorde que Davi teve duas grandes experiências em sua vida. Era um humilde pastor de ovelhas. Pela sua família, nem foi chamado a presença de Samuel, quando o mesmo foi enviado por Deus para fazer um dos filhos de Jessé o novo rei de Israel. Davi recebeu grandes vitórias nas guerras. Mas, esse Davi, “homem segundo o coração de Deus” (1Sm 13.13-14; 16.12; Sl 89.20; At 13.22) também experimentou o pior do seu íntimo: cometeu adultério e assassinato. E após a maravilhosa experiência com o profeta Natã, recebendo de Deus o perdão, Davi, é o mais aconselhado a nos incentivar a pedir que Deus nos sonde a cada dia, afinal, “...onde o pecado abundou, superabundou a graça;” (Rm 5.20).


“Senhor, tu me sondas e me conheces” (Sl 139.1).


Após falar da sondagem onipotente e onipresente de Deus, Davi exclama que essa sondagem revela um Deus amoroso. Ao exclamar: “Tu criaste cada parte do meu corpo; tu me formaste na barriga da minha mãe” (Sl 139.13), o salmista ressalta pelo uso da palavra hebraica “qanah” - “formaste” a ideia de que aquele ser gerado é um ser adquirido e comprado por esse Deus que conhece e sabe todas as coisas. O Deus onipresente e onipotente é o Deus criador e redentor.


Por esse motivo, assim como Davi é possível exclamar: “Graças te dou, visto que por modo assombrosamente maravilhoso me formaste; as tuas obras são admiráveis, e a minha alma o sabe muito bem” (Salmo 139.14).


“Senhor, tu me sondas e me conheces” (Sl 139.1). Essa sondagem e conhecimento “causa espanto e admiração”. Deus, pelo preço pago por nós, nos tornou distintos. E essa distinção já foi enumerada por ocasião da criação, quando foi dito que o ser humano foi criado a imagem e semelhança de Deus (Gn 1.26-27).


Todos somos a imagem e semelhança de Deus. Alguém sabe me dizer a cor do ser humano quando Deus os criou? O ser humano em muitas situações é racista. E o racismo é uma das consequências do pecado.


Ser a imagem e semelhança de Deus aponta para o contraste do ser humano aos animais. O ser humano foi criado para conhecer, servir e experimentar perfeito gozo em comunhão com Deus. Mas, após a queda com o conhecimento do homem sobre o amor e a misericórdia de Deus, o objetivo é que o ser humano confie em Deus e o adore como sendo único.


O ser humano foi criado com distinção e o salmista apresenta essa distinção com as palavras: “...quando os meus ossos estavam sendo feitos, quando eu estava sendo formado na barriga da minha mãe, ...” (Sl 139.15).


O termo hebraico “Ìasah” “fazer, fabricar, formar” nos remete a palavra grega que foi usada por Paulo na carta aos Efésios capítulo 2 verso 10 “poiema”, “uma obra, aquilo que foi feito”.


Tanto o salmista como Paulo transmite a ideia de um pintor que está pintando uma tela. O ser humano é uma obra primorosa de Deus. O ser humano foi criado numa perfeição sem igual, num riqueza de detalhes.


Que pena, com a queda em pecado, o homem continua sendo exaltado por sua inteligência, mas infelizmente exerce seu domínio sobre a criatura de maneira errada e perdeu a comunhão com Deus.


Mas Deus, por amor e misericórdia, continua em busca do ser humano para restaurar essa comunhão e o faz isso através de seu Filho Jesus.


“Senhor, tu me sondas e me conheces” (Sl 139.1).


É maravilhoso ler no Salmo que Deus nos conhece completamente e perfeitamente e mesmo assim nos ama. Amém.




Rev. Edson Ronaldo Tressmann

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