Palavras que levam a misericórdia!


O nome "Crônicas" refere-se ao título hebraico - Dibrey hayamim - "Narrativas dos dias passados", uma conotação de "história" do povo de Israel - desde Adão até o Edito do imperador Ciro, libertando Judá do exílio na Babilônia.


Na Bíblia Hebraica, 1 e 2 Crônicas, são os últimos livros do Antigo Testamento. Foram escritos após o povo de Judá ter voltado do exílio babilônico e o autor quer mostrar que o povo do pós-exílio é o povo da linha messiânica.


Era uma época de grandes problemas para o povo. Crônicas auxilia aquele povo a entender-se melhor, a partir da sua história, uma história onde fica evidente a presença de Deus e a sua aliança com eles.


A história ensina e dá lições importantes. E o relato de 2Cr 28.8-15 destaca justamente isso. As palavras de Odede (2Cr 28.9-11) resume bem a lição. Aliás, bem irônico, afinal, os de Judá estavam sendo punidos pelas 10 tribos do Norte e os do reino do norte que estavam afastados de Deus, ouviram a Palavra de Deus e exerceram misericórdia com aqueles que estavam sendo punidos.


A história do povo de Deus ensina valiosas lições entre duas realidades: “...ele pecou contra Deus, o Senhor,...” (2Cr 22.4) e “...fez o que é agradável a Deus, o Senhor, ...” (2Cr 25.2).


Em contraste ao rei Davi, Acaz foi mau. Fez ídolos representando Baal e praticou culto cananeu. Acaz chegou a se envolver em rituais de sacrifícios humanos, inclusive crianças. Toda essa situação desastrosa está descrita em 2Rs 16.


Acaz foi derrotado pela Síria bem como por Israel (tribos do norte) e sofreu muitas perdas. Dessa forma Acaz apelou para que o rei da Assíria o ajudasse a sair das calamidades (2Cr 28.16). E, após os edomitas e filisteus terem invadido Judá e houve um caos generalizado. Apesar do norte (10 tribos), terem se afastado de Deus e se tornarem idolatras, estavam sendo usados por Deus para conclamar seu povo ao arrependimento.


Acaz não se arrependeu, mesmo tendo recebido a promessa de Deus (Is 7.14). Pelo contrário, Acaz cometeu mais transgressões. O cronista destacou que não lhe foi reservado lugar entre os sepulcros dos reis de Judá devido a sua profunda iniquidade (2Cr 28.27).


O mau cheiro da idolatria se tornou intolerável, por isso, Deus estava rebaixando Judá (2Cr 28.19).


Acaz, um rei que fazia o que era mal perante Deus, caiu nas mãos dos arameus, cujo rei era Rezim (2Rs 16.5). Judeus foram aprisionados e levados para Damasco. Esse era o terceiro ataque dos arameus contra Judá.


Além dessa derrota, houve também a invasão do exercito israelita, pelo rei Peca, e com isso, 120.000 mil soldados mortos num único dia. Entre esses mortos estavam membros da família de Acaz, inclusive seu filho (2Cr 28.7) e membros da corte. Israel (norte) levou 200.000 mil esposas, filhos, filhas para a Samaria.


Na Samaria havia um profeta de Deus e esse anunciou que Judá estava sendo punida por Deus. No entanto, a vara nas mãos de Deus exagerou, passou dos limites (2Cr 28.9).


A iniquidade de Acaz fez com que a maré da história voltasse contra ele. Acaz ouviu a promessa com respeito ao salvador (Is 7.14) e mesmo assim pecou contra Deus. Ele foi convidado a voltar para Deus, mas permaneceu idolatra e afastado de Deus.


Odede exortou os soldados a devolver as pessoas e os bens para Judá, afinal, a derrota na guerra era punição divina, mas a tribo do sul (Judá) não deveria ser tratada como se fossem pagãos. Eles eram irmãos e não poderiam ser escravizados (Lv 25.39-46).


Odede disse que toda calamidade era um chamado de Deus para o arrependimento e não uma autorização para os israelitas passarem do limite. Houve exagero, um ato de brutalidade sem precedentes e isso precisava ser corrigido, é assim que o profeta Zacarias anuncia: “...quando eu estava um pouco irado com o meu povo, elas fizeram com que ele sofresse muito...” (Zc 1.15).


Deus está sempre pronto a intervir! E sua intervenção visa salvar os seus: “Fiquem sabendo que o Senhor, nosso Deus, os corrige como um pai corrige o filho” (Dt 8.5); “Porque o Senhor corrige quem ele ama, assim como um pai corrige o filho a quem ele quer bem” (Pv 3.12); “Pois o Senhor corrige quem ele ama e castiga quem ele aceita como filho” (Hb 12.6); “Feliz é aquele a quem Deus corrige! Por isso, não despreze o castigo do Deus Todo-Poderoso” (Jó 5.17).


O profeta Odede anuncia com maestria sobre o castigo de Deus, mas não deixa de exortar os soldados e as autoridades sobre o excesso na punição. Dessa forma, é como se o profeta estivesse dizendo que se Judá estava merecia aquela punição, mas entre eles também havia pecadores, tanto que Odede anunciou: “O Senhor, o Deus dos seus antepassados, ficou irado com o povo de Judá e deixou que vocês o derrotassem. Mas vocês mataram aquela gente com tanta raiva, que Deus ficou sabendo disso” (2Cr 28.9).


E aqui acontece algo maravilhoso, enquanto que Judá não deu ouvidos para o anuncio dos profetas Isaías e Oséias, os samaritanos deram ouvidos a Palavra de Deus anunciada por Odede, a ponto de terem reconhecido seus pecados (2Cr 28.13), e assim, levaram de volta os prisioneiros até Jericó, uma viagem de 80 km. Os soldados levaram de volta, pois a estrada de Jerusalém para Jericó era, de fato, perigosa. Deram roupas e sandálias aos que precisavam, deram de comer e de beber a todos eles e cuidaram dos seus ferimentos. Muitos comentaristas relacionam esse evento a parábola do bom samaritano (Lc 10.30,33,34). Esses, mesmo afastados de Deus, preferiram ouvir a Palavra de Deus.


Os samaritanos tiveram um ato de amor, ato raro, em tempo de guerra. A Palavra de Deus levou a prática. Esse relato junto a parábola do bom samaritano ilustra o uso de misericórdia (2Cr 28.15; Lc 10.37). Uma ilustração do ministério de Jesus que veio nos resgatar das garras do inimigo. Amém!





Rev. Edson Ronaldo Tressmann

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