Exortação para o peregrino e forasteiro! 


Há um grande debate acerca dos imigrantes. Há milhares de pessoas que precisam deixar sua pátria e sujeitar-se a viver em outro país devido à guerra, fome, perseguição. Milhares de pessoas que ao buscar refúgio em outra pátria acabam morrendo. Nunca vimos tantos casos de imigração como estamos presenciando em nossos dias. Com certeza você já se deparou com algum imigrante em sua cidade?


O apostolo Paulo escreveu: “...lembrem que vocês são estrangeiros de passagem por este mundo” (1Pe 2.11).


Estrangeiros – um romeiro, um estranho, sem lugar fixo. É alguém de passagem por algum lugar. É alguém que não está apegado ao lugar onde está, pois sabe que sua pátria é outra. Na carta aos filipenses, o apostolo Paulo escreveu: “...nós somos cidadãos do céu e estamos esperando ansiosamente o nosso Salvador, o Senhor Jesus Cristo, que virá de lá” (Fp 3.20). E essa pátria é nossa por que Jesus nos transportou para o reino do seu amor (Cl 1.12-13).


Ser peregrino é como viver numa casa que não é sua. A Mari, Maria Clara e eu vivemos numa casa que não é nossa, mas, mesmo assim precisamos cuidar dessa casa.


Não sou cidadão desse mundo, no entanto, sou responsável pelo seu cuidado. Todavia, preciso cuidar para não deixar que os cuidados com esse mundo, a atividade plena no mesmo, não me faça esquecer-se da minha pátria celestial. Não podemos nos dividir entre dois senhores (Mt 6.24).


Na época em que Pedro escreveu a carta, anos 60-65, os cristãos eram perseguidos por Nero. Era uma época em que matar um cristão era ser amigo de Roma. E, os que não matavam os cristãos os perseguiam de outras maneiras. Sendo um péssimo vizinho, um patrão ruim, ... Ante a todos os tios de perseguição, o conselho aos peregrinos, aos cristãos, era que não fugissem da convivência conflituosa, mas que resistissem firmes na fé. Isso era ser o oposto do mundo. Era dar a face para quem já havia esbofeteado a outra. Dirija sua vida na lógica do amor, sendo o que é, propriedade de Deus, sacerdote real, nação santa (1Pe 2.9). Ao ser humilhado, não humilhe, ao ser pisado, não revide. Ao ser difamado, não difame. Ao ser excluído, não exclua. Marginalizado, não marginalize. “... lembrem que vocês são estrangeiros de passagem por este mundo” (1Pe 2.11).


A perseguição apesar de ter sido horrível, contribuiu para a propagação do evangelho por que os cristãos ouviram o conselho de Pedro. Ser tolerante com aqui que nesse mundo parece ser intolerável.


Após descrever que o cristão é propriedade peculiar, um povo separado para Deus, sacerdotes reais, povo escolhido, o apostolo Pedro fala sobre a responsabilidade cristã nesse mundo.


Pedro deixa muito claro o equilíbrio entre o estar aqui nesse mundo e ser cidadão celestial. Evitem as paixões carnais (v.11), aja bem entre os pagãos (v.12); obedeçam as autoridades, quer gostem, quer não (v.13,14); faça o bem aos que tratam mal (v.15); usem a liberdade cristã (v.16); respeitem as pessoas, amem os seus irmãos na fé, temam a Deus e respeitem o perseguidor de vocês (v.17); seja obediente ao seu patrão, mesmo se ele for carrasco (v. 18);


Como Pedro pode aconselhar os cristãos dessa forma num tempo tão complicado?


Observemos os versos 4 a 10 de Pedro capítulo 2. O apóstolo destaca que o cristão é: pedra viva (v.5); pedra usada na construção espiritual (v.5); sacerdotes de Deus (v.5); um povo escolhido por Deus (vv.9-10). Nesses mesmos versículos, Pedro esclarece quem é Jesus Cristo: alicerce vivo (v.4); a fundação preciosa dos crentes (v,4,7); a pedra de tropeço para os que não creem (v.8); a pedra angular (v.6-7); o escolhido (v.4); a luz (v.9); Dessa maneira, enfatizando quem é Cristo Jesus e quem são os seus, atuar de maneira equilibrada entre esse mundo e a nossa pátria celeste não é uma mera vida piedosa, mas, ser um pequeno Cristo para quem de Cristo tanto precisa.


Nossas picuinhas a respeito de pessoas, autoridades, situações, apenas afastam pessoas da luz que é Cristo. Nossas lutas engajadas para o aqui e agora tantas vezes tem neutralizado nossa ação no reino da luz.


Como cidadãos de duas pátrias (Hb 11.16; 1Pe 2.11) é preciso destacar o que registrou Teilhard de Chardin, “não somos seres humanos passando por uma experiência espiritual, ao contrário, somos seres espirituais, cuja pátria está no céu, passando por experiência humana.”


Fomos chamados por Cristo para sermos seus representantes para outras pessoas, então: “...lembrem que vocês são estrangeiros de passagem por este mundo” (1Pe 2.11). Amém!




Rev. Edson Ronaldo Tressmann

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