Estamos fora do ar!

Atualizado: Out 13


Whatsapp, Facebook e Instagram estiveram fora do ar no dia 04/10/21. Quanto desespero, afinal, os três são instrumentos indispensáveis para os tempos virtuais: conversas, paqueras, negócios, estudos, projetos, tudo depende do virtual. É compreensível os sentimentos que vieram à tona, mas a sensação que deu, leitor, é como se o ser humano tivesse renascido por algumas horas num mundo totalmente real, ou quase, de repente a aldeia não era mais global, os limites da distância haviam voltado e o ser humano já estava correndo para os sobreviventes, tipo o e-mail. Doeu ficar por algumas horas no passado, ver o mundo por um outro ângulo. Na verdade, as horas em que o real predominou, parecia que ele estava queimando os olhos dos homens, tudo parecia real demais, imperfeições escancaradas, sem simetria. Tão real que assustou, isto é, o ser humano diante de si próprio.


O ser humano tal como é: rugas, um corpo nem tão em forma, cabelos brancos, vida com contas e parcelas para serem pagas e uma felicidade nem tão nítida, poucos amigos, enfim, é o inverso da virtualidade, imagens tão perfeitas e nítidas. Pois é, a vida não está tão nítida assim ou perfeita. E a sinceridade do real doeu como um parto, pois a pessoa sentiu na pele. O ser humano estava nu nessas horas de pretérito no presente, sem os apetrechos virtuais, nada, absolutamente nada. Você já leu o Mito da Caverna? Platão? Caso não tenha lido, leia quando puder. Vou falar breve para não dar "spoiler", é, a virtualidade voltou: homens que estavam numa caverna, olhando para a parede e apenas visualizavam as sombras dos movimentos do lado de fora. Um deles percebeu a realidade do lado de fora e quis chamar os outros, mas eles não quiseram ver. Podemos fazer uma analogia: o ser humano, com a virtualidade, caverna, está totalmente imerso diante da tela do computador, parede. Onde ele tem para si uma gama de alternativas para ver, seguir, dar um "legalzinho", enfim, sombras. O mundo está do lado de fora, através da janela, mas ele prefere não ver, prefere ver o mundo das sombras, sombras virtuais. Ser o que não é, idealizar o real.


É, leitor, as horas do parto foram bem doloridas, o homem, um tanto assustado, estava nu e real. Diante do tempo passado chamado obstetra, o homem pedia pela anestesia da virtualidade e o conforto do estar fora do ar. Fora do ar? Creio que não, mas o que aconteceu foi apenas o vislumbrar humano para si próprio. Já escreveu o poeta Mário Quintana: "o passado não tem lugar", ele é um vai e vem na vida da pessoa, o pensamento traz ele, a vida presente descortina o que já foi. O dia quatro mostrou uma surpresa: o passado veio por um deslize do tecnológico futuro.


Somente Cristo pode conceder o que é verdadeiramente real, que não é virtual ou apenas sombras, mas é perdão, salvação e vida em comunhão com Deus. Ele é o sentido que o homem precisa para caminhar com esperança. A vida não está a partir de uma tela de computador, mas está em Cristo, suficiente Deus. O futuro poderá ser surpreendido pelo passado, o palco será sempre o presente, entretanto, Jesus é pleno, enfim, nosso Deus.




Rev. Artur Charczuk

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