Enquanto houver pregação, há o Tempo da Graça


Jesus leu o texto proposto para aquele encontro na sinagoga (Is 61.1-2). Só pela leitura as pessoas já ficaram admiradas a ponto de não tirarem os olhos dele (v. 20). Esse olhar não era apenas pela leitura que fazia, mas, pela sua fama (v.14,23) que já havia se espalhado. Muitos que ali estavam o viram crescer, o conheciam desde a infância (v.22), eram seus vizinhos.


Pessoas admiradas com aquele que entre eles havia crescido agora ser considerado um profeta devido os feitos que realizava e por serem seus conhecidos, desejavam que milagres fossem realizados entre eles também.


Esse relato com algumas variações foi descrito por João Marcos, Mateus e Lucas. O evangelista Lucas visa destacar que diante da pregação da Palavra de Deus só há duas reações: aceitação ou rejeição.


As pessoas de Nazaré são um exemplo claro de como as pessoas reagem diante da pregação. Num primeiro momento ficam maravilhadas, mas, após um período tentam silenciar aquele que anuncia a Palavra de Deus. Na sinagoga, admirados, mas quando exortados pela Palavra, arrastaram Jesus para fora da sinagoga e cidade (v.29).


É preciso recordar que muitos que presenciaram os milagres de Jesus desejaram fazer dEle um rei, mas, quando estavam sob pressão, gritaram crucifica-o.


Na sinagoga em Nazaré, diante dos seus amigos, conhecidos, familiares, vizinhos. Para muitas dessas pessoas Jesus prestou algum serviço de carpintaria. E ante essas pessoas declara o ano da graça do Senhor. Ou melhor, o ano da libertação de acordo com a lei apresentada por Moisés em Levítico 25. O profeta Ezequiel anunciou que é o ano do perdão (Ez 46.17). E ele Jesus foi o enviado de Deus para resgatá-los.


Jesus disse para seus conhecidos, amigos, familiares de que naquele dia estava se cumprindo a profecia anunciada pelas Escrituras por boca do profeta Isaías. Era como se Jesus estivesse anunciando: por anos vocês frequentam essa sinagoga, ouviram essas palavras e hoje, estão vendo seu cumprimento. Jesus é o evangelizador dos perdidos e condenados.


Enquanto houver proclamação acontece o tempo da graça divina. A proclamação, o tempo da graça de Deus, é a boa nova para o oprimido e quebrantado.


Para muitos em Nazaré, Jesus era amigável, mas, insignificante. E aparecer de repente dizendo que nEle Deus perdoa os pecados e assim oferece a libertação era inaceitável.


As pessoas apenas ouviram o som das palavras, ou melhor, o som da Palavra de Deus, mas a reação a esse som foi espantoso. A Palavra de Deus desmascarou aquelas pessoas e elas, não aceitando o fato, realizaram o primeiro insulto a Jesus (v.29) e o rejeitaram. E assim como o Espírito julgou o povo que rejeitou a proclamação do profeta Ezequiel, julgou os do tempo de Jesus e as pessoas do nosso tempo. O Espirito disse que as pessoas nos tratam como seres que possuem boas palavras, mas não fazem nada do que falamos (Ez 33.32).


Não adianta ouvir e nada fazer. Conselho é bom quando se segue o mesmo. O apostolo Tiago adverte: “Não se enganem; não sejam apenas ouvintes dessa mensagem, mas a ponham em prática” (Tg 1.22). O apostolo Paulo orienta a Tito e seus ouvintes: “Ensine essas coisas e use toda a sua autoridade para animar e também para repreender os seus ouvintes. E que ninguém despreze você” (Tt 2.15). Por isso, recorde que um dos motivos pelos quais Deus enviou e envia pregadores é para preparar o povo de Deus para o serviço e ampliação do reino de Deus (Ef 4.12).

O evento ocorrido em Nazaré mostra um verdadeiro sentimento de inveja (Lc 4.23). Eles queriam ver os milagres realizados em Cafarnaum. Não aceitavam o fato de que entre seus conhecidos, amigos e familiares, Jesus não se dispunha a realizar nenhum milagre. E assim ignoravam a maior e maior de todas as proclamações: o ano aceitável do Senhor. A libertação.


Quantas vezes nossos interesses também têm nos impedido de ouvir a maior de todas as proclamações?


Quando as coisas acontecem como queremos é fácil estar admirado com o Senhor, mas, quando algo começa a dar errado ou quando somos exortados, o Senhor torna-se um empecilho e seu enviado um estorvo. É difícil reconhecer, mas, em muitas situações a nossa admiração para com Deus é uma admiração a nós mesmos.


A proclamação de Jesus só tinha um objetivo: conquistar as pessoas para Deus. A proclamação a respeito da obra de Jesus tem apenas um objetivo: conquistar as pessoas para Deus. No entanto, as pessoas apenas ouvem as palavras, cheias de admiração, mas, desejando apenas seus interesses.


Jesus veio e foi enviado para prestar ajuda à verdadeira e mais profunda miséria, a saber, para que as pessoas reconheçam a maldição do pecado. E os moradores de Nazaré não se reconheciam ovelhas perdidas e necessitadas de ajuda. Consideravam os gentios impuros e sem merecimento para serem resgatadas, por isso rejeitaram a Cristo por dizer a respeito da salvação dos gentios.


Interesses pessoais e inveja com relação à salvação dos outros tem prejudicado o trabalho missionário.


O tempo da graça de Deus está disponibilizado a todos! Enquanto houver quem pregue, vive-se o tempo da graça. Aproveitemos esse tempo, pois não sabemos quanto tempo ainda temos para aproveitar desse tempo da graça, a qual é tão importante e necessário para nós. Afinal, somos pecadores e precisamos da graça de Deus em Jesus para sermos salvos. Amém





Rev. Edson Ronaldo Tressmann

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