Cuidado, a igreja é perigosa!


Cuidado, a igreja é perigosa! Antes que estas palavras sejam interpretadas como uma resposta ao julgamento acontecido no STF semana passada, calma lá. Não é esta minha intenção. Até porque, em minha humilde opinião, há muita confusão no que se estava julgando naquele plenário.


Da mesma forma, não me refiro aos que, em tempos de pandemia, usam deste argumento para fugir da Palavra e dos Sacramentos. Infelizmente, a impressão é que o perigo de transmissão de um vírus não está no chimarrão com os vizinhos, nas aglomerações, nas reuniões sociais e sim, na igreja. Mesmo que todos os protocolos de saúde sejam seguidos à risca, proporcionando um momento de culto em segurança e com cuidados diversos, a igreja parece ser muito perigosa para alguns. Assim, o que está realmente em perigo é a fé cristã, que pode estar agonizando sem ser abastecida. Não corramos este risco. Bebamos da Palavra e dos Sacramentos, de acordo com nossa realidade local.


Mesmo assim, preciso confessar: a igreja é perigosa. Ela tem uma mensagem que nos quebra ao meio, que nos tira da zona de conforto, que nos faz ver que toda a torre de babel que construímos para ir ao encontro de Deus foi perca de tempo. Esta perigosa mensagem nos diz que “todas as nossas boas ações são como trapos sujos” (Isaías 64.6). Esta mensagem nos coloca na vala comum dos pecadores, mesmo que tentemos ostentar um papel de bom cidadão. A lei do Senhor nos coloca em perigo, nos lança no inferno, tira todas as nossas defesas, nos faz sentir dor na consciência e nos faz confessar: “desventurado homem que sou!” (Romanos 7.24).


Porém, a mensagem da igreja aponta especialmente para a perigosa cruz. Ela era temida, pois penalizava com tortura e morte os piores criminosos no império romano. Naquela perigosa cruz Deus mostrou seu amor por mim e por você. Se não conseguimos cumprir sua lei, ele mesmo cumpriu por nós. Se não conseguimos pagar a conta do nosso pecado, ele mesmo pagou. Na cruz de Jesus Deus assumiu para si nosso pecado. Mesmo sendo Deus, Jesus foi à vala comum dos pecadores e de lá saiu ressuscitado ao terceiro dia. E, depois de todos estes perigos, o próprio Senhor nos conforta: “pela sua graça e sem exigir nada, Deus aceita todos por meio de Cristo Jesus, que os salva” (Romanos 3.24).


Então fica a dica: cuidado, a igreja é perigosa. Sua mensagem da cruz escandaliza, tira do ser humano prepotente todos os méritos de salvação e coloca tudo nos ombros de Jesus. Ah, como queremos ouvir mais e mais desta perigosa, graciosa e amorosa mensagem!




Pastor Bruno Serves

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