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  • PENSE NISSO Teológica

A Presença de Jesus

Mateus 14.22-33


Querido povo de Deus, vocês já se sentiram tristes por ter que sair de perto de alguém que apenas a presença dela lhe faz bem? Tipo: está numa rodinha de amigos, ou com uma pessoa em particular, e conversa vai... conversa vem... você olha para o relógio e, infelizmente, deu a hora de voltar pra casa. Então, circunstâncias como essa é mais comum quando ainda somos jovens, pelo fato de sempre ter um horário estipulado a cumprir; no entanto, mesmo com a idade mais avançada, vivenciamos também momentos de quando chegou a hora de ir embora e ficou a vontade de ter mais um momento de conversa, dar mais um abraço ou ouvir mais algumas piadas antes do encerrar da noite. O fato é que gostamos e sempre buscamos oportunidades de estar com aqueles ou com aquela pessoa em especial que sua presença nos faz bem.


Querida e amada Igreja de Deus, os textos que me baseio para esta mensagem são, de novo, sensacionais – Salmo 18.1-6, Jó 38.4-18, Romanos 10.5-17 e Mateus 14.22-33. Todos são ricos em detalhes, se conectam bastante um com o outro e vários temas poderiam ser levantados a partir dos mesmos. No entanto, para não ser demais extenso, vou me ater ao texto do evangelho.


O relato do evangelho segue o de – Mateus 14.13-21 – quando Jesus alimentou uma grandiosa multidão. Segundo Mateus, só de homens contados, a multidão continha em torno de cinco mil, fora mulheres e crianças que não foram contados. Mas, então, depois de saciados, depois de todo mundo com a barriga cheia, Jesus foi, acompanhou os discípulos até um barco – que, segundo a arqueologia, não era lá uma coisa tão grandiosa assim, uns oito metros de comprimento – e ordenou que os discípulos subissem e fossem até o lado oeste do Mar da Galileia.


Quando se lê o texto rapidamente, nem se nota que os discípulos não gostaram muito da ideia de ir, tomar o barco sozinhos e atravessar o Mar. No entanto, conforme se lê no original e em outras traduções consultadas, os discípulos hesitaram sim em partir, não queriam sair dali de perto de Jesus. Tanto é que Jesus precisou insistir, diz a tradução da Bíblia de Jerusalém: “forçou os discípulos a embarcar e aguardá-lo na outra margem”. Jesus precisou meio que obrigar a ida dos discípulos que não queriam, nem um pouco, sair da presença dele; não queriam ficar longe da presença gostosa do Salvador Jesus.


A princípio, o motivo aparente de Jesus não ir junto deles é porque ficou para trás a fim de despedir a multidão – que é mandar o povo de volta aos seus lares, dar um tchau para aqueles que vieram ali ouvir e ver Ele. Talvez para alguns isto não tem lá tanta importância, mas esse pequeno detalhe me faz admirar mais e mais o seu e meu Salvador. Tipo, hoje em dia, as celebridades fazem questão de chegar e sair de eventos os mais discreto possível. Alguns, por causa da fama e destaque na mídia, se colocam num pedestal tão alto que até criam repulsão pelo povo mais simples e humilde. Mas, Jesus não! Jesus pegava no colo criancinhas que estavam sujas, Jesus abraçava gente enjoada, Jesus beijava gente que estava até com mau cheiro. O fato é: Jesus amava desde os mais importantes até os mais insignificantes para sociedade; Jesus andava e amava pecadores – gente ignorada, gente desprezada, gente abandonada pela sociedade e pela igreja da época.


Diz uma parte de uma música da dupla Matheus e Kauan: “quando você fica ao lado de uma pessoa e ela mesmo em silêncio lhe faz bem.” Então, assim era Jesus! Sua presença era tão gostosa, sua presença era tão boa para pecadores, que ninguém queria sair de perto de dele. Ele que tinha de mandar o povo embora, se não ficavam lá (mas claro, despedia a todos com grande carinho e um sorrisão gostoso no rosto). Como ouvimos semana passada, multidões de cinco, dez, quinze mil pessoas vinham ao seu encontro para ouvi-lo, pedir sua ajuda ou, simplesmente, estar com Jesus, porque a sua presença, a presença do Salvador fazia e ainda faz muito bem. Tão bem, que os discípulos ficaram relutantes e não queriam ir sem o Mestre para o lado oeste do lago. Na verdade, acho que os discípulos estavam com um pouco de ciúmes. Sabe quando a gente gosta muito de uma pessoa que tem ciúme de dividir a atenção dela com outros, acho que assim estavam se sentindo os discípulos. Gostavam tanto de Jesus, gostavam de ouvi-lo e principalmente de estar com Ele, que sentiam ciúmes em partilhar ele com outros, queriam Jesus só pra si. Isto talvez seja uma realidade ainda hoje, afinal ainda existe relutância do coração humano em dividir Jesus com o próximo que também necessita da gostosa presença dele – perceba isso nas teologias que fazem seleção de “por quem” Jesus morreu. Não! A morte do Filho de Deus foi e ainda é para todos, seu amor e sua presença fizeram e ainda fazem bem pra todos, especialmente a você.


Multidões de sua época, os discípulos e nós gostamos da presença de Jesus porque era e ainda é sensacional a presença de Jesus na vida de pecadores. Só Jesus traz paz de verdade; só Jesus lhe perdoa de verdade e esquece totalmente o que você fez de errado; só Jesus acalenta de verdade seu coração e lhe estende a mão quando ninguém mais tem o poder de lhe ajudar. Me respondam, meus amigos: qual pecador, qual desprezado, qual sofredor não quer ir correndo a Jesus que está sempre de braços abertos para os receber ou com punho firme para nos sustentar quando afundamos?! Sim, meu amigo, você quer e eu quero a presença de Jesus; mais que isso, você e eu necessitamos todos os dias do abraço reconfortante e o apoio firme das mãos ajudadoras do nosso Salvador Jesus Cristo.


Na continuação do texto, duas coisas relatadas que chama bastante atenção. Primeira, depois de despedir a multidão, Jesus subiu ao monte a fim de orar a sós. Mesmo sendo o Filho de Deus, alguém que tinha conexão com o Pai – utilizando o linguajar dos jovens – em banda larga, 24 horas por dia; Jesus tira seu tempo pra conversar sozinho com Deus. Não diferente de nós, por ser também homem Cristo precisava de um confidente fiel a quem podia desabafar suas mágoas; não diferente de nós, por ser também homem o Filho de Deus necessitava da constante ajuda de Deus; não diferente de nós, por ser também homem o Filho de Deus necessitava de uma boa conversa com aquele que em silêncio lhe fazia bem. Segunda que chama bastante atenção, foi outro destaque de Mateus: Quando chegou a noite, ele estava ali, sozinho. Naquele momento o barco já estava no meio do lago. E as ondas batiam com força no barco porque o vento soprava contra ele. Já de madrugada, entre as três e as seis horas, Jesus foi até lá, andando em cima da água.” (vs.23b-25)


Enquanto escrevia a mensagem e reli novamente a parte citada acima, fiquei imaginando duas cenas: Primeira, está na beirada do Mar da Galileia o pastor Raul se despedindo duma grande multidão, de repente, decide mandar toda congregação Cristo Rei pegar seu barquinho e ir pro outro lado do mar da Galileia. Passado um tempo, depois de despedir da multidão e orar, Raul vai à margem, olha triste para o mar, consegue enxergar muito mal um pontinho borrado lá no meio do Mar (segundo comentaristas, os discípulos estavam uns 6 km de distância e, isso, já no anoitecer) olha para beirada sem nenhum barco e conclui: – Poxa! Olha o problema aí! O jeito é ir a pé rodeando o mar. Talvez até de manhã eu chego lá. Eita! Porque não deixei eles me esperarem?! Me arrependi! E segue seu caminho. Segunda cena, Jesus está lá despedindo do povo, manda os discípulos irem para o lado oeste do mar – mesmo não querendo muito ir. Depois de despedir a multidão e orar, vai à margem, olha para o mar, consegue enxergar muito mal um pontinho barrado lá no meio do mar, olha para a beirada sem nenhum outro barco conclui: Eita! Tão lá no meiozão hein! Olha o problema aí! A volta igual o Raul deu, eu não vou dar. Quer saber, já que sou Deus, vou andando sobre a água. E caminhou sobre as águas agitadas.


Pensamentos à parte, é importante uma reflexão dessas para apontar que quem foi de encontro aos discípulos naquela não foi um outro Jó, sobre o qual, lemos num texto acima citado – simples ser humano que não consegue responder nem um questionamento de Deus sequer. Não! Quem vai de encontro aos discípulos naquela madrugada tempestuosa é o Filho de Deus, a Palavra, o verbo que estava presente quando Deus colocou os alicerces da terra e fez jorrar do ventre da terra o oceano. Quem vai de encontro aos seus simples e limitados amigos é o Senhor dos céus e da terra, que tem domínio sobre todas as coisas, que alimenta multidões e faz oceanos raivosos e tempestades furiosas amansarem de forma imediata com simples palavras. – Acalmem-se! Aqui, o Deus homem presenteia novamente os discípulos com sua presença que a eles e nós faz muito bem.


Não vou dar destaque a tudo o que Mateus deu porque são muitos e riquíssimos os detalhes desse texto. Deixaremos aqueles que não foram citados pra outra hora. No entanto, ainda preciso chamar atenção sobre a cena de Jesus com Pedro, nosso grande representante.


Quanto se destaca esta cena, é muito comum trazer à tona o assunto fé e dúvida, afinal, Pedro pede meio que uma prova para saber se aquele vulto que apareceu no meio da escuridão era ou não era seu Mestre Jesus. No entanto, quando leio essa parte, me vem outro assunto à mente que é – orgulho/esnobismo humano. Por que penso isso? Em muitos acontecimentos relatados nos evangelhos, Pedro meio que sempre quer se destacar, ser o centro das atenções, porque não, o melhor do grupo dos discípulos. Claro que é complicado entrar dentro da mente de Pedro, saber o porquê de suas ações. Mas, para entender Pedro e os discípulos em cena, tento sempre utilizar o métodos de entrar dentro da minha mente, dentro do meu coração pecaminoso e tento me colocar no lugar de Pedro.


Então, todo ser humano gosta de atenção. Não gostamos de ser ignorados, muito menos colocados para baixo. Sei lá se isso vem desde a Criação, sabe... o Criador de tudo voltou seu olhar atencioso desde sempre para nós, admirou-se de sua obra prima deste o princípio e, por isso, talvez desde lá gostamos de temos um forte desejo de ser notado. No entanto, o fato é que gostamos de nos destacar e, quando nos encontramos em grupo, maior ainda é a vontade, pois maior é o número de olhares voltados a nós. Gostamos de destaque, gostamos de nos destacar, gostamos de sobressair sobre outros. Assim somos nós, assim será o coração de todas as pessoas que ainda existirem e assim era também o coração Pedro. Pedro gostava de atenção, gostava de ser destaque entre os outros, por isso, na hora que Pedro pede pra que Jesus mandasse que ele fosse andado sobre a água, ele, na verdade, junto com o pouco de dúvida, tinha o desejo por se destacar entre os outros. Pense comigo, ele já convivia com Jesus muito tempo, conhecia perfeitamente a voz do seu Mestre e forma gostosa de Jesus se apresentar também — Coragem! Sou eu! Não tenham medo! Por isso acredito que, naquele momento, Pedro, além de duvidoso, estava sim querendo ser destaque, queria alimentar mais uma vez seu orgulho e seu esnobismo perante os outros que ali se encontravam. No entanto, afunda! Seu orgulho, seu esnobismo, sua falta de fé o ajuda a afundar no problema encontrado. E o que impressiona: nessa hora, Jesus imediatamente o toma pela mão. Outra coisa, não dependeu do que Pedro pensava, nem da quantidade da sua fé. Deus estendeu a mão e o segurou firme porque o amava, mesmo sendo um mísero orgulhoso pecador. Assim, meu amigo, é na sua e em minha vida. Nos momentos tempestuosos da vida, quando começamos a duvidar de Deus, Jesus imediatamente nos toma pelo braço. Nos momentos em que com o ego elevado, o orgulho lá em cima, nos faz esquecer de Deus e caímos, Jesus nos toma pelo braços. Se você afundar, ele até afunda contigo, mas nunca o larga. Ele sofre junto, Ele se suja junto, Ele te segura firme. Isso Deus fez com Davi, conforme ele nos relatou no Salmo; isso ele fez com Jó, como percebemos nas leituras; Deus fez isso com Pedro, no texto destacado; e, não tenha dúvida, isto ele faz com você. Até Paulo, um orgulhoso perseguidor de Cristo e da Igreja, na hora que caiu, o próprio Jesus o amparou com seu amor. Assim como os que citei, você e eu necessitamos a cada dia do amparo e da presença de Jesus em nossas vidas. Sem Ele afundamos, perecemos; sem Ele, somos só um Raul que tem de dar a volta sobre os problemas encontrados.


Querido, a presença de Jesus te faz sim muito bem. Porque ele está presente, porque Ele anda ao seu encontro nas dificuldades, porque Ele o toma em suas mãos quando você afunda. Quando, mesmo tendo ajuda, você duvida ou você cai, Jesus estará lá para imediatamente o suster pelas mãos e até afundar com você. A presença de Jesus lhe faz bem e com Ele, vou contar um segredo especialmente aos jovens, vocês não tem hora estipulada para conversar ou receber ajuda. Pode ser de manhã, á noite ou até às três da madrugada. Esteja certo, Ele vai estar presente pra te ouvir, te suster e te ajudar. E sua presença lhe fará bem. Amém.




 Reverendo Raul Saulo Pagung





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